Catástrofes – O que fazer?

Josias Dias da Costa

“Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação: Raquel chora seus filhos e não quer consolação, porque eles já não existem.” (MT 2,18).

A única atitude sensata diante das catástrofes em qualquer parte do mundo, inclusive as do Rio de Janeiro, é esta: a solidariedade.

Não sou a favor de se utilizar da desgraça humana em proveito próprio. Terremotos, maremotos, tempestades, furacões, enchentes, seca etc. matam. E diante da morte, o que se tem que fazer é respeitar os mortos e solidarizar-se com as famílias.

Anos atrás eu estava em Campos do Jordão, quando aconteceu lá uma tragédia. Os morros despencaram em cima das casas deixando, naquela pequena cidade, mais de três mil desabrigados.

Naquele dia chuvoso e de frio intenso, as pessoas se movimentavam pelas ruas, encharcadas e enlameadas da cabeça aos pés, ajudando a socorrer as vítimas. As mansões abriam as portas para acolher, as monjas saíram da clausura e armaram barracas para agasalhar cem pessoas, os comerciantes fecharam as lojas e foram à luta para salvar vidas. No restaurante, o atendente pediu desculpas pela mediocridade do cardápio; é que os donos e a maioria dos funcionários estavam ajudando no socorro.

Escondendo da chuva sob uma marquise, um senhor chegou à minha frente para anunciar, como se estivesse falando para uma multidão: “É fim do mundo que está se aproximando!”. De forma educada eu pedi para ele ir plantar batatas. Questionei-o da seguinte forma: “Por que o senhor não vai ajudar, como aqueles homens ali, em vez de ficar fazendo discursos?” Isso bastou para que ele se despregasse de mim e buscasse outra pessoa disposta a ouvir sua pregação.

Antes de ir à hospedaria do Mosteiro para dar ali algum apoio às monjas já exaustas no atendimento aos abrigados, comecei a pensar que a desgraça não tem ideologia, partido e religião. Todos sofrem com ela!

Isso não quer dizer que haja responsabilidades dos governantes. As catástrofes têm, sim, relação com as instituições sociais: família, educação, religião, política e economia. Contudo, não é ético e não fica bem utilizar as vítimas como objetos de interesses, sejam eles quais forem. Diante dos corpos das vítimas e do choro dos familiares, não há lugar, muito menos, para buscar explicações acerca das mortes. Pois, nada é explicável. Talvez, a única explicação plausível seja a de que nos fazendo solidários, acolhendo os desabrigados, alimentando os famintos, estaremos amenizando um pouco a dor dos que sofrem.

Em qualquer tempo, sobretudo, fora das catástrofes, é preciso que se faça um planejamento estratégico das cidades, levando em consideração as pessoas que nela vivem.

Que se estabeleçam políticas de curto, médio e longo prazos para que as cidades sejam saneadas e ofereçam as condições ambientais adequadas, com moradia digna e segurança para todos, meios de transporte de bom nível e sistemas educacional e de saúde condizentes com as necessidades de seus habitantes.

Planejar a cidade e implementar as projetos necessários para que ela seja humanizada não é tão difícil e se trata de um investimento com retorno garantido em forma de bem estar social.

Goiânia – GO 15-04-2010.

Josias Dias da Costa

Zilda Arns – toda uma vida dedicada à proteção da Criança, pelos Direitos Humanos!

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Solidariedade ao Povo do Haiti e aos Brasileiros em missão pela paz no país!