Um olhar sobre a Bacia do Rio Paranaíba

Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba lança edital de concurso de fotografia

O Concurso de Fotografias do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba foi lançado na 5ª Reunião Ordinária,  ocorrida nos dias 09 e 10 de junho de 2010, na cidade de Itumbiara – Goiás.

O Concurso é dividido em três temas: 1) Água; 2) Beleza Natural ou Cultural; e 3) Degradação Ambiental. O(a) vencedor(a) em cada tema receberá da Diretoria do CBH – Paranaíba um Diploma de Participação e a quantia de R$ 3.000,00 em dinheiro, oferecido por patrocinadores.

O período de inscrição é de 15 de junho a 30 de outubro de 2010 e está aberto para fotógrafos profissionais ou amadores, maiores de 18 anos.

O edital do Concurso (Edital nº 9/2010) com o regulamento e a contextualização da Bacia Hidrográfica estão disponíveis no link:http://www.paranaiba.cbh.gov.br/_docs/editais/20100610_Editaln09.pdf

Bom dia!!!

Liberdade e cultura de paz!

foto: Leo Iran

Apoio ao Projeto ‘Cerrado – Patrimônio Nacional’

Agenda Cultural


Critérios Sustentáveis para contratos – Importante passo do Brasil

Editado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Nº 971 – Brasília, 25 de Janeiro de 2010

Critérios de sustentabilidade são incorporados às licitações do governo federal

A utilização de critérios sustentáveis na aquisição de bens e na contratação de obras e serviços pelos órgãos do governo federal foi regulamentada pelo Ministério do Planejamento. As regras abrangem os processos de extração ou fabricação, utilização e o descarte de produtos e matérias-primas.
De agora em diante, as obras públicas serão elaboradas visando a economia da manutenção e operacionalização da edificação, redução do consumo de energia e água, bem como a utilização de tecnologias e materiais que reduzam o impacto ambiental.

“Essas regras vão exigir uma readequação do mercado, já que nem todos os fornecedores terão produtos qualificados para as nossas exigências”, alertou o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna. Segundo ele, o governo possui grande poder de compra e deve induzir essas mudanças junto ao mercado.

“Com essas medidas, o governo estimula a sociedade a seguir esse caminho, não apenas porque dá o exemplo, mas também porque pode induzir os fornecedores a se preparar para fornecer produtos e serviços ambientalmente sustentáveis”, justificou.

Entre as determinações, há a exigência para que as construtoras tenham um projeto de gerenciamento de resíduos provenientes da construção civil que atendam às normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Assim, os resíduos das obras serão destinados a aterros sanitários ou usinas de tratamento de lixo.

A Instrução Normativa também prevê, no caso das obras públicas, a utilização de sistemas de reuso de água e energia, procedimentos para reduzir o consumo de energia, utilização de materiais reciclados, reutilizáveis e biodegradáveis e redução da necessidade de manutenção, além do uso de energia solar. Outra exigência é a comprovação da origem da madeira para evitar o emprego de madeira ilegal na execução da obra ou serviço.

O governo federal também recomenda que os bens e serviços sejam constituídos, no todo ou em parte, por material atóxico, biodegradável e reciclado e que não contenham substâncias perigosas em concentração acima da recomendada na diretiva européia RoHS (Restriction of Certain Hazardous Substances). Entre eles, o chumbo, o cromo, o cromo hexavalente e o cádmio.

A Instrução ainda traz regras para a contratação de serviços, como a separação dos resíduos reciclados descartados pelos órgãos, a adequada destinação para pilhas e baterias e a utilização de produtos de limpeza e conservação de produtos que atendam às determinações da Anvisa. O documento também prevê que as empresas contratadas realizem programas internos de treinamento para a redução de consumo de energia elétrica e  de água.

Coordenador do Fórum Goiano em Defesa do Bioma Cerrado é nomeado como titular no Conselho Estadual do Meio Ambiente

Altamiro Rodrigues Foto: Renato Garcia

Texto: Renato Garcia

O coordenador do Fórum Goiano em Defesa do Bioma Cerrado, Altamiro Fernandes, acaba de ser nomeado como Membro Titular do Conselho Estadual do Meio Ambiente (CEMAM).  Em entrevista ao Blog da Marina, Altamiro lembra que o Conselho estava há cerca de dois anos sem funcionar e foi reativado no fim de 2009, quando o Governador do Estado, Alcides Rodrigues, baixou decreto que restituiu o órgão.
Segundo Altamiro, com a reabertura, o Conselho disponibilizou três vagas para serem ocupadas pelas Organizações Não Governamentais (ONG´s), e que seu nome foi lembrado, avaliado e votado para ser um dos representantes das ONG´s nos encaminhamentos do Conselho.  Altamiro afirma que o papel do CEMAM é importantíssimo para a preservação e os cuidados que o Meio Ambiente precisa, e que um dos objetivos principais é diminuir os agravantes ambientais que vem ocorrendo.
Outra questão citada por Altamiro são os pontos que serão discutidos nas próximas reuniões, dentre eles o Fundo Ambiental, que é constituído por recursos oriundos de multas e penalidades ambientais. “O recurso do Fundo Ambiental só pode ser utilizado se o Conselho aprovar o destino e a relevância ambiental desta verba”, salientou o coordenador.
Altamiro Fernandes ficou conhecido por realizar, desde o ano 2007, uma luta constante em defesa do Bioma Cerrado. O coordenador finaliza que o projeto apresentado em 1995 pelo deputado federal Pedro Wilson (PT), que coloca o Bioma Cerrado e a Caatinga com o título de Patrimônio Nacional da Humanidade, deve ser reconhecido com agilidade pela Câmara Federal e é uma necessidade de preservação de extrema urgência.

Ary Soares, Ibama-Goiás, fala de recursos naturais, fiscalização e o Zoológico de Goiânia

Ary Soares dos Santos. Foto: jotacidade.com

Ary Soares dos Santos. Foto: jotacidade.com

Em um bate-papo descontraído, o Superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) em Goiás, Ary Soares dos Santos, conversou com a equipe do blog na última quarta-feira, 13. Atencioso, Ary pontuou várias questões importantes para quem se interessa pelo Meio Ambiente, explicando como são aplicadas algumas das políticas ambientais em Goiás e esclarecendo como funcionam procedimentos usuais ao IBAMA, como a destinação de madeira e animais apreendidos a partir de crimes ambientais. Entre os assuntos, Ary deu sua opinião sobre os zoológicos e sua devida importância na sociedade contemporânea. Confira na íntegra:

Recentemente, houve algumas mudanças na lei ambiental. Elas afetam, na prática, as políticas ambientais do Brasil?

Nós tivemos uma mudança específica, o decreto Mais Ambiente, que facilita as adequações ambientais daqueles que têm problemas acumulados ao longo do tempo. Por coincidência, ele é muito similar a um programa que o IBAMA de Goiás desenvolveu e vem implementando há cerca de dois anos. É a possibilidade de você conversar com aquele proprietário que tem passivo ambiental e estabelecer um acordo sem ônus de autuação ou sem ônus de embargo da área que está sendo usada indevidamente. O proprietário passa a contar com condições e prazos para fazer aquela adequação. Esse decreto foi a mudança mais recente e está gerando um pouco de polêmica, já que toda a legislação carece de um entendimento jurídico maior e alguns pontos não estão claros ainda. Mas não há mais nenhuma mudança sintomática. Existe hoje um grande debate sobre se a reserva legal vai deixar de existir, se as áreas de preservação permanente vão diminuir seus perímetros de proteção… mas isso ainda não foi colocado oficialmente. O decreto Mais Ambiente não tira nenhuma das obrigações ao qual diz respeito. Ele apenas minimiza a execução da legislação vigente.

Existem alguns projetos filantrópicos no interior do estado, como no município de Pirenópolis, que utilizam madeira certificada e doada pelo IBAMA para produzir móveis rústicos e capacitar jovens e adolescentes. Quando são feitas apreensões de madeira ilegal, a doação é o destino prioritário desse material?

Existem duas alternativas para dar destino a um determinado bem apreendido: levar a leilão – e aí esse recurso será apropriado pela União em um caixa único -, ou é feito um processo de destinação social desse bem. Especialmente nessa gestão em Goiás, nós temos nos empenhado bastante para seguir essa segunda opção. A madeira e qualquer produto que foi retirado ilegalmente da natureza e foi apreendido terá seu infrator autuado e, assim que avaliarmos as condições administrativas que envolveram o determinado processo, nós o destinamos a uma instituição filantrópica ou a uma prefeitura e assim por diante. Tentamos trazer o maior benefício social possível a aquilo que foi apreendido através de um crime ambiental.

E com os animais, como funciona?

No Brasil, o tráfico de animais é uma realidade extremamente preocupante. Nós temos alguns critérios específicos para fazer a destinação dos animais oriundos do tráfico. Quando você apreende ou quando uma pessoa entrega espontaneamente um animal silvestre, este animal irá passar por um processo de triagem, no Centro de Triagem de Animais Silvestres, o CETAS. E aí são avaliadas as condições de saúde do animal. Se ele estiver apto para a soltura na natureza, o animal passa por um segundo momento de adaptação. Isso acontece muito, por exemplo, com as aves em Goiás. O animal vai reaprender a se encaixar no meio ambiente, comer frutas do Cerrado, aprender a se alimentar sozinho e, gradativamente, a gente vai liberando esse animal na natureza. Essa é a prioridade. Já os animais que não tem condições de serem soltos na natureza por terem ficado dependentes do manejo humano, são preferencialmente destinados a um zoológico. Ele vai cumprir seu papel ali, destinado à educação ambiental, ao lazer e etc, em um espaço público. Não havendo interesse de um zoológico, vem uma outra possibilidade que é a de destinar o animal a criadores conservacionistas ou comerciais de animais silvestres. Quando chegamos a esse último estágio, de destinar a apreensão a um criador comercial, o processo é monitorado: o criador tentará formar casais, o que é difícil de ser feito e até oneroso para o criador e só os filhotes dos animais apreendidos é que podem ser vendidos. Ele jamais tem autorização para vender o animal que recebeu do IBAMA.

O Sr. citou o zoológico como um dos destinos dos animais apreendidos. Em Goiânia, temos um problema sério com o atual parque da cidade. As condições de criadouro dos animais são questionáveis, assim como o espaço físico do zoológico que não atende a várias exigências básicas. Como o IBAMA em Goiás tem lidado com essa questão polêmica, que é de responsabilidade do órgão e da prefeitura da capital? Existe uma atenção específica?

Sim, com certeza. Tanto é que o zoológico encontra-se embargado, sem poder manter nenhuma atividade de lazer e visitação  há mais de seis meses. Enquanto a administração do zoológico não demonstrar uma capacidade de gestão de todo aquele espaço, o IBAMA não irá autorizar a reabertura. Mas, quanto às mortes dos animais, isso é comum acontecer. Nós estamos falando de animais que foram inseridos em ambientes artificiais. É um animal que passou por stress, por problemas de saúde, por mudança de hábitos alimentares. Então não é incomum a morte de animais em criadouros. O que preocupou especialmente em Goiânia foi a alta mortalidade de grandes animais, hipopótamos, zebra, girafa e etc. Isso ganha um impacto social muito grande, a sociedade se mobilizou, pediu explicações, exigiu que providências fossem tomadas e todas as que eram possíveis foram tomadas pelo IBAMA e pelo Ministério Público Federal, que é o órgão que fiscaliza as nossas ações. Então o zoológico vai passar por um processo de readaptação de seus ambientes e, ao fim, vamos decidir qual é o plantel que o parque tem, de fato, condições de administrar. É uma situação que o IBAMA está gerenciando com toda a rigidez possível, com todo o critério técnico possível.

É preciso retirar o zoológico do centro da cidade?

Isso é uma opção da administração municipal. O que nós vamos avaliar, no final, é se as adaptações que forem feitas estão de acordo ao plantel, ou se é preciso diminuí-lo. Onde colocar o zoológico, a princípio, cabe à prefeitura. Obviamente que vai ser protocolado um processo junto ao IBAMA e iremos avaliar as condições físicas dessa futura instalação se assim for a opção da prefeitura.

Na sua opinião pessoal, os zoológicos hoje são necessários?

Olha, é difícil dar uma resposta cabal a essa pergunta. Até porque os zoológicos foram criados há décadas para propiciar um mínimo de interação entre o homem e a natureza. Existem situações em que você vai ter animais que não há para onde destinar. Por exemplo, quando você pega animais de uma relocação de uma hidrelétrica, em uma área que será inundada. O fato de você pegar o animal e relocar para outro ambiente causa uma competição com as espécies que já existem ali. O que vamos fazer? Sacrificar o excedente? Se a sociedade assim preferir, tudo bem. O gestor público trabalha com o que a sociedade demanda. O que nós temos hoje de prerrogativas legais é de dar a destinação adequada. Então, quando chega ao ponto de não conseguirmos dar a melhor destinação possível, com critério científico, o animal acaba indo para um zoológico. As situações tem que ser avaliadas caso a caso e, de forma alguma, podemos deixar que uma decisão extremamente técnica seja contaminada pelo emocional. Por mais bonito que pareça ao cidadão leigo o manejo de animais, nós estamos falando de um processo conduzido por técnicos, por biólogos qualificados. Há um estudo aprofundado de especialistas que conhecem a dinâmica biológica do animal e da flora. Se nos deixarmos levar pelo emocional e pelo sentimentalismo, podemos causar um dano maior ao ambiente natural e aos animais silvestres do quando somos mais rígidos na decisão.

Entrevista realizada pela Jornalista Aline Mil