Entrevista ao Jornal Hoje sobre eleições 2010

Jornal Hoje 14jan2010A ex-vereadora Marina Sant´Anna (PT) disse ontem em visita ao jornal O HOJE que é opção para compor a chapa majoritária da base do presidente Lula (PT) em Goiás. Cotada para a vice-governadoria, ela lembrou os motivos pelos quais não disputou o último pleito. Marina é filiada no PT há 30 anos, desde a fundação do partido. Após terminar seu mandato de vereadora, começou a prestar consultoria em urbanística e continua atuando. (Charles Daniel e Mirelle Irene)

O HOJE – Em 2008 a senhora foi contra o apoio do PT à candidatura do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB). Após quase dois anos, a senhora revê essa posição?
Marina Sant´Anna –
Eu continuo entendendo que foi um erro o PT não ter candidatura própria em 2008 porque tinha condições de competir e ganhar, como sempre teve em Goiânia. Foi um erro. Eu nunca tive problemas pessoais com o prefeito, nem com ninguém. É a posição sobre o que é melhor. Linhas de avaliação diferenciadas. Sempre fui bem recebida tanto pelo prefeito Iris quanto pelo governador Alcides. Visões diferentes precisam ser respeitadas. Agora estamos em situação diferente. O PP, PMDB, PT, PC do B e outros partidos que são aliados também no âmbito nacional têm toda a possibilidade de assumir a próxima etapa do governo do Estado.

O HOJE – Por que a tendência do PT que em 2008 não concordou com o apoio ao PMDB aceitou essa união nas eleições estaduais?
Marina Sant´Anna –
Procuro analisar a conjuntura para chegar a uma conclusão, e ouço muita gente. Naquele momento eu pensava daquele modo. Talvez volte a pensar assim em campanha futura. Mas neste momento temos uma conjuntura diferente. O PP também disputaria naquele momento. Quando o prefeito, o governador, PRB, PC do B, PTB nacional estão próximos ao governo Lula, apoiando, e com a possibilidade disso virar palanque, não pela graça de alguém. É um resultado de um esforço coletivo. A nossa tendência, no Movimento Cerrado, quando Rubens Otoni apresentou seu nome para ser candidato a governador, nós apoiamos. Os partidos têm de apresentar seus nomes. Não estamos aqui na agenda do PMDB, do PP ou de outros partidos. Estamos na agenda do PT, e essa agenda nos indica para apresentar nomes e participar das mesas de composição.
O HOJE – A formação de chapa única da base de Lula em Goiás terá mais chance de êxito do que mais coligações?
Marina Sant´Anna –
Uma hipótese é conseguirmos juntar todos os que apoiam o governo Lula. Mas se isso não acontecer, ou se resolvermos ter até três palanques para Dilma, não quer dizer que o nosso projeto seja prejudicado. São boas possibilidades. O presidente Lula vai influenciar muito, de acordo com pesquisas, na opinião do eleitorado, porque não se trata só da simpatia dele, mas de um projeto que está dando certo e que haverá provavelmente um desejo de continuidade desse projeto. A nossa tarefa é ver quais são as melhores formas de colaborar com esse projeto nacional e trabalhar o projeto local em confluência, em apoio e articulação permanente.
O HOJE – O próximo governo de Goiás terá a possibilidade de realizar mais investimentos?
Marina Sant´Anna –
Estivemos sexta-feira com o governador Alcides (Rodrigues), e ele revelou que as contas do governo estão harmonizadas. Isso significa que a próxima administração pode fazer todos os investimentos que não foram possíveis agora. Poderá superar os governos antecessores com investimentos em todo o Estado. Temos a possibilidade de fazer investimento na área social e acompanhar esse ritmo. Até 2016, se continuarmos com esse tipo de política social – com o Bolsa Família, os níveis de empregabilidade, do salário mínimo e o fornecimento do crédito – ,a miserabilidade será coisa do passado. Imagina isso no Estado, com as contas organizadas, o que vai ser possível fazer na próxima etapa. Quem apoia o governo Lula tem de se juntar nessa disputa.
O HOJE – Muitas mulheres estão com maior visibilidade na política, como a ministra Dilma Rousseff (PT), que tem perspectivas reais de ser a primeira presidenta do País. Isso é sinal de que a presença da mulher na política está melhorando?
Marina Sant´Anna –
Tem dois modos de presença da mulher. Uma é aquela que acompanha a vida política de outra pessoa, marido, pai, e acaba gostando da política e se enveredando para as atividades públicas. Outras pessoas começam com pura militância mesmo e aí acabam permanecendo. O importante é que parece que as mulheres têm alcançado um pouco mais, porque as que estão na vida pública são muito ativas, mas, se você olhar em termos numéricos, ainda não é um número capaz de dizer que há um pouco de equidade de gênero no País. As mulheres estão estudando muito. Já somos maioria em todos os campos de educação. Da alfabetização de adultos e adultas até os doutorados e pós-doutorados e procurando participar como militante onde podem. Com a democratização das tarefas domésticas, isso vai se somando e dando maiores possibilidades.