Mulher na Política – É preciso avançar mais

É preciso avançar mais

Participação pequena no cenário político não é particularidade de Goiás. Realidade negativa é tendência que se mantém no Brasil e com poucas perspectivas de melhora

SARAH MOHN

Em pleno fim da primeira década do sécu­lo 21, é curioso que ainda se questione por que motivo as mulheres são minoria na atividade política brasileira. Elas compõem a maioria da população e do eleitorado no Brasil, mas estão distante de pelo menos se equiparar numericamente à participação dos homens nas casas legislativas e nos executivos de todo o País.

A última estatística divulgada pelo Tribu­nal Superior Eleitoral (TSE), referente à eleição de 2008, mostrou que a maioria de eleitores, precisamente 51,7% do universo de mais de 130 milhões de cidadãos regis­trados na Corte, é formada por mulheres. De acordo com o Tribunal, existem 130.469.549 brasileiros, regularmente inscritos. Deste total, 67.483.419 são mulheres e 62.824.986 são homens. Mesmo assim, segundo informações presentes no site da Câmara Federal, o Brasil é o penúltimo colocado no ranking da América do Sul, que mede a participa­ção feminina nas câmaras federais. Há ape nas 9% de mulheres na Câmara, índice que corres­ponde a 45 deputadas do total de 513 cadeiras.

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Para a petista Marina Sant`Anna, não só a candidatura da ministra Dilma, como a postulação da senadora Marina Silva (PV), amplia o acesso das mulheres na política brasileira. “Do ponto de vista da presen­ça da mulher na política é in crível esse apoio, por que trata da palavra direta da mulher na vida pública. Isso vai fazer história, escola política no Brasil e vai acrescentar essa vertente na vi­são de homens e mulheres sobre a atuação das mulheres na política.” Na análise de Marina, ao longo dos anos as mulheres passaram a falar diretamente na vida pública, e não apenas na política partidária ou em cargos conquistados, mas nas artes, na literatura, quadros em que as mulheres deram salto na representação. “Em Goiás, infelizmente, ainda te­mos quadro inferior numericamente à qualidade que a mulher pode oferecer para nossa políti­ca.”

Marina defende que as mulheres trabalham na esfera pública com sensibilidade mais acentua­da, e não apenas nas áreas sociais. “O olhar que a mulher tem sobre qualquer obra que esteja sendo realizada, a percepção do que aquilo pode significar é um aprendizado da mulher ao lon­go dos anos, da vida.” Ela pontua que até hoje não há divisão das tarefas domésticas — quem cuida da casa e, muitas vezes, acaba abrindo mão de melhor remuneração e melhor tra­balho porque tem filhos pequenos é sempre a mulher. “Esse aprendizado que não existe ain­da como confirmação na vida privada também não existe na vida pública. As mulheres têm o que oferecer, oferecem sempre que alcançam oportunidades, mas nem sempre são respeita­das.”

Para a petista, a proposta de campanha do governador Alcides Rodrigues (PP) de oferecer 50% dos cargos de primeiro escalão a mulheres só não vingou por falta de pulso dos próprios partidos políticos que compõem a base governista. Isso porque, segundo Marina, nem dentro das legendas há quantitativo de mulheres com perfil técnico e de liderança para ocupar as va­gas oferecidas. “Quando ele terminou o convite para o primeiro escalão e foi perguntado sobre isso respondeu que precisou atender aos nomes indicados pelos partidos políticos e que a grande maioria não atendia à demanda que ele havia prometido. Acho que os partidos em Goi­ás precisam dar o espaço que está sendo alcançado para maior participação feminina nos pos­tos mais importantes de decisão.”

Matéria publicada no Jornal Opção em 07/03/2010. Leia na íntegra em: www.jornalopcao.com.br