
Foto de Isadora Pereira
Apresento hoje à vocês, Isadora Pereira. A garota possui 19 anos, é estudante e pretende cursar Fotografia e Relações Internacionais na UNB. Interessa-se por música, moda e gosta de pesquisar assuntos financeiros domésticos, empresariais e as ações do governo. Diverte-se em baladas lounge, em festas retrô, assim como shows de rock. Mas trago a vocês um estilo de vida, que não se preocupa com a opinião alheia, principalmente com os preconceitos corriqueiros em relação à sua imagem pessoal. Filha de ex- hair design, começou a pintar suas madeixas aos treze anos, assim como criar suas próprias maquiagens. Trago a entrevista que fiz com a moça.
Isabella Morenna – Com que freqüência você pinta e corta seus cabelos?
Isadora – Não tem uma freqüência exata. Se eu quiser pintar o meu cabelo eu pinto. Não precisa ser necessariamente de seis em seis meses. Se eu quiser passar um ano ou dez sem mexer no cabelo assim vai ser. Se eu quiser fazer eu faço. Agora mesmo vou mudar meu cabelo.
Isabella Morenna – O que a sua família acha dessa atitude? Você se importa com a opinião alheia?
Isadora – A atitude deles varia no corte. Se o corte e a pintura são extravagantes, o comentário deles é extravagante. Se o corte e a pintura são discretos, o comentário é discreto. E as pessoas também são assim. Nossa… Mas já é a segunda vez que mudo meu cabelo desde quando saí pela última vez com um garoto que gosto, isso sim me preocupa (risos).
Isabella Morenna – Essa foto que você está de cabelo bem curtinho… Você rapou a cabeça? Quantos anos você tinha?
Isadora – Eu acho que eu tinha 17 anos, acho que foi isso… Se eu rapei a cabeça? Não, eu deixei quatro dedos só, não cheguei a rapar. Me inspirei na Elis Regina. Mas resolvi fazer repicado, para não ficar tão certinho e curtinho como o dela. Repicado eu acho que deu um ar mais punk. E eu gosto de punk.

Foto de Isadora Pereira
Isabella Morenna – Fala mais sobre a reação das pessoas, principalmente quando você cortou o cabelo bem curtinho. Você acha que o preconceito quanto a isso acabou ou ainda está presente na sociedade?
Isadora - Não, muita gente achou que eu era lésbica quando eu cortei o cabelo curtinho, não é que ser lésbica seja um problema mas eles relacionaram meu cabelo à minha sexualidade, e eu só queria mudar o visual. Inclusive algumas amigas, que eu achava que tinha a cabeça mais aberta, mais tranqüila quanto a isso se rebelaram. Mas tenho amigo que é amigo mesmo, como o Sid, que de qualquer jeito que me aparentava ele era meu amigo: de mau humor, com cabelo azul, alegre e com o cabelo loiro ou vermelho. Para ele o mais importante era a Isadora e não o cabelo da Isadora. É engraçado como as pessoas te tratam de maneira diferente a medida do modelo do cabelo. O povo fala que a imagem e beleza não conta, mas é tudo hipocrisia de discussão escolar e a realidade é bem diferente.
Isabella Morenna – Como assim hipocrisia de realidade escolar? Fale mais sobre isso.
Isadora – Digamos que na realidade escolar, eles estão discutindo um assunto que não é real. O discurso em prática só fica ali mesmo. As pessoas, a ética bonitinha… que nem os professores conseguem colocar em prática… Os próprios que exigem que um assunto seja discutido. Muitos são hipócritas, defendem uma idéia que não conseguem cumprir. Tem idéias e condutas opostas, pois não colocam em prática, ainda julgam negativamente as pessoas que não concordam e que assumem que não concordam. Por exemplo: dentro da sala de aula, tratam as alunas bonitas de uma forma e as gordinhas de outra.

Foto de Isadora Pereira
Certa vez em uma aula de matemática, o professor passou um exercício no quadro para dizer que estava dando aula enquanto ele ia puxar assunto com outras meninas do tipo que usam calça jeans apertada, cabelo descolorido de escovinha, com brincos grandes e muita maquiagem. E minha colega, que era gordinha e inclusive uma das meninas mais alegre e gente boa que eu já conheci, foi perguntar sobre o exercício. Ele a tratou com veemência, como se ela estivesse atrapalhando o seu assunto muito importante com as outras alunas, que nem estavam fazendo a tarefa. Isso é tão bobo, tão arcaico, mas ainda continua acontecendo, esse tipo de comportamento deveria mudar.
Isabella Morenna – Qual a mensagem que você daria para essas pessoas que discriminam os outros conforme sua aparência?
Isadora - Eu diria coitada delas, pois elas estão perdendo pessoas ótimas como amigas, namoradas, companheiras, sócias, colegas de trabalho, tudo. Elas, essas pessoas, estão perdendo o melhor da festa por causa de besteira!
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