A diversidade sexual, assunto ainda polêmico em alguns espaços, é foco de discussões acadêmicas e do movimento social. Atendendo essas demandas, realizou-se, de 3 a 7 de setembro de 2009, a sétima edição do Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual (ENUDS), na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. O evento contou com a participação de estudantes do Brasil todo, havendo uma representatividade regional, além disso, houve participação de estudantes da Colômbia, tentando dialogar as mesmas questões: gênero, sexualidade, diversidade cultural e racial, ainda que, em culturas diferentes.
O tema do evento era bastante instigante: “Academia e Militâncias em diálogo: diversidade sexual e lutas sociais”, abarcou discussões importantíssimas sobre a realidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros e transexuais, mostrando como a luta pela diminuição das “fobias” e pelo reconhecimento da diversidade tem se travado no Brasil, dos avanços e retrocessos, das pesquisas acadêmicas, do movimento social e do diálogo entre militância e academia.
Além da diversidade sexual, a questão racial, gênero, diferenças etárias, de classe social e regionalidades intereseccionaram o debate, visto que, a diversidade sexual é também cercada de embates que envolvem estes temas, e possui ampla necessidade de discussão e conscientização públicas.
Acredito que, o fato de estar na sétima edição, mostra o quão relevante é o encontro, propondo-se discutir temas, aparentemente pouco tratados, mas que vêm cotidianamente, alcançando visibilidade nas agendas públicas, escolas, na mídia e na sociedade em geral. Isso fica evidenciado na riqueza dos debates, que contou com a presença de graduand@s, graduad@s, mestrand@s, mestres, doutorand@s, doutor@s e pós doutor@s de diversas áreas do conhecimento, bem como, com o público que está fora da academia e assim mesmo, luta cotidianamente pelos direitos da população LGBTTT, os movimentos sociais, grupos e ONG´s.
O ENUDS é uma oportunidade de sair do discurso pautado na heteronormatividade (normas binárias, socialmente construídas, baseada em padrões “eleitos” como certos, normais, que privilegiam a heterossexualidade e subjuga a diversidade sexual) e compartilhar experiências de quem sofre preconceito diariamente, por ser lésbica, bissexual, gay, travesti transexual, negra, negro, pobre, não tão bel@, mulher, homem feminizado, mulher masculinizada, não ter um padrão de corpo estabelecido, enfim, saber que as pessoas matam, agridem, humilham, ofendem, discriminam, viram as costas, enfim, reproduzem preconceitos com aqueles que não seguem a norma de corpo e sexualidade padrões, e eu questiono, que norma?
Eventos desse porte, tais como cenas habituais de homofobia, nos leva a algumas reflexões. Vivemos ou não em um país democrático? A luta pela felicidade e pelo reconhecimento da diferença do público LGBTTT, ou ainda, a luta pela promoção da igualdade, incomoda muita gente no Brasil e no mundo. O ENUDS é uma tentativa, dentre as várias outras, para que o mundo seja mais colorido, menos fóbico e mais diverso, pautado no respeito e na promoção de uma cidadania plena.
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