Enviado por Oraida Abreu
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Em entrevista exclusiva para o Portal FPA, o presidente da Fundação Perseu Abramo e ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, fala sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) e as intensas reações causadas pela iniciativa em alguns setores da sociedade.
Há uma discussão acalorada na imprensa sobre a Lei de Anistia, a reboque da divulgação do III Plano Nacional dos Direitos Humanos. Qual é a avaliação da Fundação sobre esse debate?
Existe um manifesto do Comitê Nacional contra a anistia aos torturadores, que está recolhendo assinaturas de juristas, intelectuais, ativistas de movimentos dos direitos humanos, lideranças de movimentos sociais e populares, cidadãos… Isso, para ser anexado a uma ação que arguiu o preceito fundamental da Constituição, chamada ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) e ingressada pela OAB em 2008. Nela, o STF vai julgar se a Lei de Anistia de 1979 concede ou não impunidade aos torturadores – por causa daquela expressão “crimes conexos”, usada para criar a ideia de que a Anistia era para os “dois lados”.
Esse manifesto já tem 12 mil assinaturas, e a Fundação Perseu Abramo resolveu ingressar formalmente nesse movimento. Ela publicou no seu portal a petição, e fará um apelo para que as pessoas o assinem, difundindo-o. A FPA concorda com o teor do apelo, segundo o qual a tortura é um crime imprescritível. Não é crime político – portanto, não foi beneficiado pela Anistia de 79. Trata-se de um crime comum que afrontou as leis da época, da própria ditadura, e também é visto como tal pelo direito internacional, que o considera imprescritível. E o Brasil faz parte dessa legislação, desses tratados, e eles são absolutamente insofismáveis quanto a seu caráter imprescritível. Ninguém propõe a revisão da lei da Anistia, e sim que a Justiça considere que esta lei não perdoe o torturador.
Quer dizer que este debate da Anistia não tem nada a ver com o que está proposto no PNDH?Não é um decreto do presidente Lula, conforme tem sido colocado pela imprensa?
Não, não é, isso é uma notícia manipulada. Trata-se de uma versão que vem tentando se transformar em fato, quando não é verdade que o Plano seja para rever a Lei de Anistia. Ele não faz essa revisão. Nesse debate, tanto o Paulo Vannuchi como o Tarso Genro – assim como nós e todos os que nos apóiam – acham que é uma decisão a ser tomada pela Justiça. E é uma posição do presidente Lula também, não há o que o discutir.
Então o que propõe o PNDH sobre a ditadura, que provocou toda a reação (dos militares e afins)?
O Plano propõe uma Comissão de Verdade, que é outra coisa. A Comissão de Verdade é administrativa, ela não substitui a Justiça, não tem o poder de declarar se os torturadores estão perdoados ou não. Ela deve recompor um trabalho sobre a memória e a história para chegar à verdade histórica, ao que aconteceu durante a ditadura civil-militar que durou 21 anos no Brasil. E isso provocou essa reação, e sempre provocará…
A cúpula militar, a inteligência militar do país é totalmente identificada com a democracia, tem profundo sentimento nacional e espírito público. Ela está profundamente identificada com um projeto de Nação que está sendo construído no Brasil. Não tem contradição nisso, ela acata e aceita a Constituição totalmente. Mas [ao mesmo tempo] tem uma dificuldade enorme de lidar com o passado. Querem manter a ficção de que a ditadura instalada em 1964 foi um golpe para restabelecer a democracia, o que não é verdade. Foi para instituir uma ditadura com todas as suas consequências, e que durou 21 anos.
Agora, esse é um problema que tem que ser enfrentado dessa maneira. Quer dizer, não se trata de civis contra militares, ou democratas contra militares, não é nada disso. Não tem disputa maniqueísta do bem contra o mal. São pessoas que a gente admira, que o Brasil respeita. O país admira suas Forças Armadas, trata-se de parte integrante do nosso projeto e nenhum louco pensa diferente. Então, é necessário apartar essa ideia de uma volta do confronto entre a esquerda e a direita, que aconteceu durante a ditadura. Não tem nada a ver isso, é passado, fica no domínio da História. O que está em discussão agora é: como resgatar o passado? A democracia avança. Se na ditadura a Lei de Anistia possível foi aquela, inconclusa, incompleta, imperfeita, excludente, ela também cumpriu um grande papel na volta da democracia. Tanto que foi mudada várias vezes. Na Constituição de 1988, foi alterada pela lei 9140/95, que reconheceu os mortos e desaparecidos políticos – antes, não o eram. E foi mudada na Comissão de Anistia, que incorporou reparação econômica e moral – o que a Anistia inicial não comportava – para civis e militares perseguidos pela ditadura. Ela foi modificada várias vezes, não é intocável.
Mas nem por isso é proposta uma nova lei de Anistia, porque isso passou. Já temos trinta anos da Lei, o que a gente vê no Brasil é um processo que acompanha a evolução democrática do país. E à medida em que se consolida a democracia, direitos novos se colocam. Hoje existe a demanda ao direito à memória e à verdade – que é tão importante quanto outros direitos. Uma nação com sua democracia não comporta a manipulação de sua História, nem permite que alguém vete sua busca. Ninguém tem esse poder, é um direito inerente à cidadania e à democracia. Então não terá veto.
Temos que tratar isso de uma maneira madura, de modo que saibamos dialogar, mesmo com as dificuldades existentes. E é isso que está colocado. O PNDH 3 é uma sequência de dois planos prévios, que vieram do governo anterior. Participei dos dois ativamente, eu era da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e um dos negociadores do Plano Nacional 1, que tem pontos que estão entrando hoje neste terceiro. No 2 os movimentos de Direitos Humanos brasileiros e do mundo inteiro colocaram que o Estado brasileiro incorporasse uma nova versão, com os direitos sociais, econômicos e culturais. Isso foi feito em 1999.
O que significam esses direitos, na prática?
Significa, para os Direitos Humanos, incorporar o mundo do trabalho, o acesso à terra urbana e rural, e o direito à alimentação como parte dos direitos econômicos. Incorpora direitos sociais – os direitos previdenciários, o direito à saúde, que são dever do Estado – e a assistência social cidadã. E inclui grupos vulneráveis, povos ameaçados de extinção e de risco social elevado.
Os direitos humanos culturais – o direito à educação – ficam abertos, e vão se acrescentando na Constituição. O antigo “ensino fundamental” – agora, pré-escola – e o ensino médio profissional vão entrando, de forma progressiva, no ensino universitário. E a agenda vai evoluindo enquanto o país evolui.
O direito à cultura, não como o “direito de ser espectador”, mas produtor da cultura, com todas suas as implicações – em todos os níveis, em todo o país, para todas as classes. Entra o acesso aos bens do progresso científico, como bem comum da humanidade que não pode ser apropriado por uma classe social, por um grupo. E é inserido o combate a toda a forma de discriminação e preconceito: de gênero, sexual, de procedência nacional ou regional. A questão racial, tudo isso entra, desde o primeiro plano.
Por que se fez o Plano 3? Porque depois de sete anos de governo Lula, com investimento no social, o Brasil mudou. Então agora existem novas demandas e agendas, e o PNDH tem essa tarefa em comum para o Brasil todo – não é do governo A, B ou C, nem do partido A, B ou C. É tarefa de todos. Muitos só veem Direitos Humanos retoricamente, quando entra no plano concreto, há reação. A Kátia Abreu (senadora ruralista) é a favor dos Direitos Humanos; mas, quando isso atinge os ruralistas e o latifúndio, ela é contra. No momento em que queremos discutir o trabalho escravo e degradante, a questão da produtividade e o limite da propriedade, é guerra civil. Mas essas são coisas banais nos Direitos Humanos.
Ela (Kátia Abreu) é a favor dos Direitos Humanos retóricos, formais. Mas ao falarmos que é um direito para todos, é contra. Trata-se de uma tarefa a se conquistar, convencê-los (os ruralistas) que não podem ter a terra. A Constituição fala da função social da propriedade. Nossa Constituição é inóspita. Os compromissos internacionais proíbem o trabalho escravo, que tem que ser erradicado; proíbem o trabalho infantil, o trabalho degradante, pedem o trabalho decente. Sempre existirá um conflito com eles, que também tem que fazer esse aprendizado. Eles têm que se comprometer com os Direitos Humanos mesmo, sem ser da boca pra fora, como estão fazendo agora, se aproveitando de um momento peculiar para colocar as manguinhas de fora, com todo seu conservadorismo, seus privilégios, sua recusa a qualquer mudança. O Brasil precisa avançar na luta contra a desigualdade econômica, social, política e cultural.
Outra área que protestou foi as dos militares, sobretudo dos que têm a ver com os porões, que não querem ver escancarados seus crimes. E isso o Brasil deve enfrentar sem revanchismo. E se o STF decidir que é imprescritível, é uma decisão de Justiça. E Justiça não é revanchismo. Foi feita a Justiça, ao contrário da ditadura, quando não se tinha direito de defesa, havia tortura, assassinato, desaparecimento… Na democracia, se alguém for acusado tem todo o direito de se defender. O rito da lei tem que ser rigorosamente cumprido, não fugiremos disso. Se o STF decidir que as Forças Armadas devem acatar a decisão, elas o farão porque são democráticas. E os porões terão que se defrontar com seus crimes do passado.
Também houve uma reação da Igreja Católica, não é?
A Igreja defende os Direitos Humanos. Ela e parte das outras igrejas são contra o aborto (também na situação do anencéfalo). Isso é uma diferença. No mais, ela concorda com tudo no Plano, a Igreja é uma parceira dos Direitos Humanos. O governo Lula tem agido da seguinte forma: a questão do aborto é de saúde pública, e isso levou a um conflito permanente com a Igreja. Agora, isso saiu de conferencias estaduais de Direitos Humanos e da Conferência Nacional de DH, com centenas de atores sociais. A Igreja é parceira, precisa saber lidar com isso, com paciência. Há dificuldades, mas deve-se trabalhar com paciência, habilidade e tolerância. Não são contra o PNDH, eles participaram de sua própria elaboração. Centenas de pastorais e orgãos da Igreja estiveram no processo.
Vale também para as igrejas evangélicas…
É um desafio nosso fazer com que as chamadas igrejas messiânicas também abracem os Direitos Humanos. É uma tarefa permanente pra quem lida com DH. Quem mais se opôs? A mídia. Foi contra pelos mesmos motivos pelos quais se opôs à Conferência Nacional de Comunicação. Porque a Confecom vai muito além. No Programa, o que está colocado é uma pequena parte da Confecom. Toda mudança suscita reação.
A democracia brasileira entra em novo estágio. A sociedade brasileira quer a democratização da comunicação, é um direito. Há essa questão da convergência da mídia, a era da mídia digital. A lei já diz que isso tem que ser compartilhado entre público, privado, estatal. O que já suscita reação. Quando votamos sobre a tortura em 1997, era a regulamentação da Constituição Art. 5º, e houve 77 votos contra. Tinha gente que ia ao microfone e falava que “tipicar o crime da tortura acabará com a polícia no Brasil”. Toda mudança, por mais justa e necessária, gera resposta, e isso tem que ser enfrentado de forma democrática.
Tudo isso tem que passar pelo Congresso, no qual todos os partidos estão representados. Os donos da mídia, os ruralistas têm bancada enorme. O que tem pouco lá é bancada dos sem rádio, sem casa, sem diversidade, sem terra. Esses são os que têm menor representação. Então todos vão opinar, e portanto debaterão o plano. O que existe é uma manipulação política nessas reações ao Programa.
Por que, neste momento, se cria esta celeuma? Já houve planos similares, este consolida uma série de ações que vêm sendo discutidas e implementadas desde o governo FHC. Por que agora?
Porque há uma disputa eleitoral em 2010. No caso do PNDH 3, boa parte do que li, é assim: “não li e não gostei”. Estão opinando a partir do “ouvir dizer”. Não houve boa vontade nem mesmo para ler o conteúdo do Programa. A Folha de S.Paulo fez uma matéria honesta hoje (12/11). O Fernando Rodrigues (jornalista da da Folha) fez uma comparação dos três planos, e se o resto da mídia ler o que ele escreveu, a partir de amanhã o tratamento sobre o assunto será outro. Há muita hipocrisia, existe muito tucano que, na época em que era governo, apoiou o PNDH 2. Apoiaram e deram respaldo. Agora, vêm em defesa do PNDH 3 pessoas como José Gregori, Paulo Sérgio Pinheiro, que são identificados com o PSDB mas defendem o Plano. E eles vão mostrar que a discussão está desfocada.
Agora, o plano deve ser debatido, não é intocável. Nada do que está ali tem que ser mantido a ferro e fogo. Ele esteve em uma consulta pública até na internet. Saiu da conferência de 2008, precedido de outras, é um processo inteiramente público. O debate é totalmente transparente. Para o PNDH, é muito bom que haja uma discussão honesta sobre seu conteúdo. Então vamos debater por quê rico não paga imposto, que transfere para o andar de baixo. Então para tratar de justiça social no país, vamos discutir isso. Quem paga imposto é a classe pobre, popular. Ricos, não.
A concentração de terra também é uma forma de concentrar riqueza e poder no Brasil. O Brasil tem que enfrentar isso. No caso da mídia, a lei brasileira já diz que a mesma empresa não deve ter propriedade cruzada, acumulação de poder, deter toda a cadeia produtiva. Não pode, mas no Brasil existe. Isso tem que ser enfrentado, porque todo a população tem direito à comunicação. E ele está sendo conquistado pelo povo. A sociedade não aceitará isso, temos que que avançar. A democracia é um processo inacabado, em construção. Nunca termina. Não tem ponto de chegada definitivo. O recém eleito presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, diz que a luta pela justiça social, pela igualdade, é permanente, e deve-se subir degrau a degrau.
Daqui a 10 anos, quando vier o PNDH 4, existirá a mesma reação. Os planos sempre têm uma parte programática, que depende de passar pelo Congresso, de outros poderes. É difícil de aprovar.
Há também a interpretação de que o PNDH 3 é um programa de governo para Dilma. Que o PT está lançando o programa agora, que é uma consolidação das propostas do PT….
Não foi o PT que lançou isso. Temos uma cultura de Direitos Humanos que passou pelo José Gregori, pelo Paulo Sérgio Pinheiro, por mim e está com Paulo Vannuchi; o tema é suprapartidário, não deve ser partidarizado. Porque, para se efetivar, o plano depende dos governos estaduais e municipais. E aí estão todos os partidos. Se os governos estaduais não decidirem eliminar a tortura, o programa não se viabiliza. O trabalho infantil só acaba se os municípios entrarem no PNDH, a exploração sexual infantil também. Então os Direitos Humanos são uma luta de todos, de todas as esferas. Trata-se dos governos Federal, Estadual e Municipal, do Estado Executivo, Legislativo e Judicíário, com o Ministério Público, e envolvendo a sociedade. É ela que empurra. Então não é verdade que o PNDH é programa desse ou daquele partido. Assim como não foram do PSDB os planos 1 e 2, não é do PT o Plano 3.
O anúncio do PNDH 3 deveria acontecer em 2009 como resultado do processo de construção?
É a agenda mesmo, deu para 2009, já que a Conferência aconteceu em 2008. Até por excesso de zelo do Paulo Vannuchi, para negociar melhor, para tornar o debate conhecido, para evitar reações, ele retardou o quanto pode, para conversar com o máximo de gente. E a reação do Jobim é esperada, é diferente da do Vannuchi, e do Tarso Genro e de tantos outros. Ele acha que tem que por uma pedra no passado. Há milhares de cidadãos neste país que discordam radicalmente disso, e acreditam que só investigando bem o passado teremos um futuro melhor. Faz parte do processo, e o Jobim é gente do bem também, e vamos continuar divergindo.
E deixar de vincular isso a programas de eleição?
Espero dos proceres tucanos honestidade em relação ao Plano, que o tratem com o mesmo respeito com que trataram o PNDH 2.
http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=5274
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# Resolvi postar esta nota porque me parece esclarecedora, resgatando a história de tratados e conquistas da Sociedade Brasileira, da Humanidade
NOTA PÚBLICA
PNDH 3 É AVANÇO NA LUTA POR DIREITOS HUMANOS
O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), rede que reúne cerca de 400 organizações de direitos humanos de todo o Brasil manifesta publicamente seu REPÚDIO às muitas inverdades e posições contrárias ao Programa Nacional de Direitos Humano (PNDH 3) e seu APOIO ao PNDH 3 lançado pelo governo federal no dia 21 de dezembro de 2009.
O MNDH entende que o Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH 3) dá um passo à frente no sentido de o Estado brasileiro assumir direitos humanos em sua universalidade, interdependência e indivisibilidade como política pública; expressa avanços na efetivação dos compromissos constitucionais e internacionais com direitos humanos e resultou de amplo debate na sociedade e no governo. As reações ao PNDH estão cheias de motivações conservadoras e mostram que vários setores da sociedade brasileira ainda se recusam a tomar os direitos humanos como compromissos efetivos tanto do Estado, quanto da sociedade e de cada pessoa. É falso o antagonismo que se tenta propor ao dizer que o Programa atenta contra direitos fundamentais, visto que o que propõe tem guarida constitucional, além de se constituir no que é básico para uma democracia moderna e que quer a vida como um valor social e político para todas as pessoas, até porque, a dignidade da pessoa humana é um dos princípios fundamentais de nossa Constituição e a promoção de uma sociedade livre, justa e solidária são objetivos de nossa Carta Política.
Há setores que estranham que o Programa seja tão abrangente, trate de temas tão diversos. Ignoram que desde há muito, ao menos desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, direitos humanos é muito mais do que direitos civis e políticos. Vários Tratados, Pactos e Convenções internacionais articulam o que é hoje conhecido como o direito internacional dos direitos humanos, que protege direitos de várias dimensões: civis, políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, de solidariedade, dos povos, entre outras. Desconhecem também que o Brasil, por ter ratificado a maior parte destes instrumentos, é obrigado a cumpri-los, inclusive por força constitucional, e que está sob avaliação dos organismos internacionais da ONU e da OEA que, por reiteradas vezes, através de seus órgãos especializados, emitem recomendações para o Estado brasileiro, entre as quais, as mais recentes são de maio de 2009 e foram emitidas pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU. Aliás, não é novidade esta ampliação, visto que o Programa Nacional de Direitos Humanos 2 (PNDH II, 2002) já previa inclusive vários dos temas que agora são reeditados e a primeira versão do PNDH (1996) foi criticada e revisada exatamente por não contemplar a amplitude e complexidade que o tema dos direitos humanos exige. Por isso, além de conhecimento, um pouco de memória histórica é necessária a quem pretende informar de forma consistente à sociedade.
Em várias das manifestações e inclusive das abordagens publicadas há claro desconhecimento do que significa falar de direitos humanos. Talvez por isso é que entre as recomendações dos organismos internacionais está a necessidade de o Brasil investir em programas de educação em direitos humanos para que o conhecimento sobre eles seja ampliado pelos vários agentes sociais. Um dos temas que é abordado no PNDH 3 e que poderia merecer mais especial atenção.
O PNDH 3 resulta de amplo debate na sociedade brasileira e no governo. Fatos atestam isso! Durante o ano de 2008 foram realizadas 27 conferências estaduais que foram coroadas pela realização da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, em dezembro. Durante o ano de 2009, um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos procurou traduzir as propostas aprovadas pela Conferência no texto do PNDH 3. O MNDH e suas entidades filiadas, além de outras centenas de organizações, participaram ativamente deste processo. Outros seis meses, desde julho, o texto preliminar está disponível na internet para consulta e opinião. Internamente no governo, o fato de ter sido assinado pela maioria dos Ministérios – inclusive o Ministério da Agricultura – é expressão inequívoca do debate e da construção. É claro que, salvas as consultas, o texto publicado expressa a posição que foi pactuada pelo governo. Nem tudo o que está no PNDH 3 é o que as exigências mais avançadas da agenda popular de luta por direitos humanos esperam. Contém, sim, propostas polêmicas e, em alguns casos, não bem formuladas. Todavia, considerando que é um documento programático, ou seja, que expressa a vontade de realizar ações em várias dimensões, tem força de orientação da atuação, nos limites constitucionais e da lei, mesmo quando propõe a necessidade de revisão ou de alterações de algumas legislações. Aliás, é prerrogativa da sociedade e do poder público propor ações e modificações tanto de ordem programática quanto legal. Por isso, não deveria ser estranho que contenha propostas de modificação de algumas legislações. Assim que, alegar desconhecimento do texto ou mesmo que não foi discutido é uma postura que ignora o processo realizado. É diferente dizer que se têm divergências em relação a um ou outro ponto do texto do que dizer que o texto não foi discutido ou que não esteve disponível para conhecimento público.
O MNDH entende que as reações publicadas pela imprensa, vindas, em sua maioria de setores conservadores da sociedade, devem ser tomadas como expressão de que o PNDH 3 tocou em temas fundamentais e substantivos que fazem com que caia a máscara anti-democrática destes setores. Estas posições põem em evidência para toda a sociedade as posturas refratárias aos direitos humanos, ainda lamentavelmente tão disseminadas e que se manifestam no racismo que discrimina negros, ciganos, indígenas e outros grupos sociais, no machismo que mantém a violência contra a mulher, no patriarcalismo que violenta crianças e adolescentes, no patrimonialismo que quer o Estado a serviço de interesses e setores privados, no revanchismo de setores militares que insistem em ocultar a verdade sobre o período da ditadura militar e em inviabilizar a memória como bem público e direito individual e coletivo, na permanência da tortura mesmo que condenada pela lei, na impunidade que livra “colarinhos brancos” e condena “ladrões de margarina”, no apego à propriedade privada sem que seja cumprida a exigência constitucional de cumpra a função social, na falta de abertura para a liberdade e a diversidade religiosa que impede o cumprimento do preceito constitucional da laicidade do Estado, no elitismo que se traduz na persistência da desigualdade como uma das piores do mundo, enfim, na criminalização da juventude e da pobreza e na desmoralização e criminalização de movimentos sociais e de defensores de direitos humanos.
O MNDH também repudia a tentativa de politização eleitoral do PNDH 3. O Programa pretende ser uma política pública de Estado e não de candidato; não pertence a um partido, mas à sociedade brasileira e, portanto, não cabe torná-lo instrumento de posicionamentos maniqueístas. Não faz qualquer sentido pretender que o PNDH tenha pretensões eleitorais ou mesmo que pretenda orientar o próximo governo. Quem dera que direitos humanos tivessem chegado a tamanha importância política e fossem capazes de efetivamente ser o centro dos compromisso de qualquer candidato e de qualquer governo.
Assim, o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), reitera sua manifestação, publicada em nota no último 31/12/2009, na qual disse que “cobra uma posição do governo brasileiro que seja coerente com os compromissos constitucionais e com os compromissos internacionais com a promoção e proteção dos direitos humanos. O momento é decisivo para que o país avance para uma institucionalidade democrática que efetivamente reconheça e torne os direitos humanos conteúdo substantivo da vida cotidiana de cada um/a dos/as brasileiros e brasileiras”. Manifesta seu APOIO ao PNDH 3. Entende que o debate democrático é sempre o melhor remédio para que a sociedade possa produzir posicionamentos que sejam sempre mais coerentes e consistentes com os direitos humanos. REJEITA posições e atitudes oportunistas que, desde seu descompromisso histórico com os direitos humanos, tentam inviabilizar avanços concretos na agenda que quer a realização dos direitos humanos na vida de todas e de cada uma das brasileiras e dos brasileiros.
O MNDH também manifesta seu apoio ao ministro Paulo Vannuchi e entende que sua permanência à frente da SEDH neste momento só contribui para reforçar que o PNDH 3 veio para valer. Entende também que se alguém tem que sair do governo são aqueles ministros – entre eles Jobim e Stephanes – ou quaisquer outros prepostos que, de forma oportunista e anti-democrática vêm contribuindo para gerar as reações negativas e conservadoras ao que está proposto no PNDH 3, inclusive contribuindo para enfraquecer a posição do governo e do presidente Lula que, corajosamente e sabedor do conteúdo, assinou o PNDH 3 e o lançou com tão amplo apoio e adesão de vários ministérios do governo federal, manifestação inequívoca de que o PNDH 3 tem apoio da maioria do governo e que não serão uns poucos ministros que o derrubarão.
Em suma, como organização da sociedade civil, o MNDH está atento e envidará todos os esforços para que as conquistas democráticas avancem sem qualquer passo atrás.
Brasília, 11 de janeiro de 2010.
Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)
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Foto de 1990, Goiás, minha autoria, utilizada em nosso cartão de natal (abaixo)
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Nós elegemos a proteção das crianças!
29 de novembro, eleição do Conselho Tutelar em Goiânia

Domingo é dia de tirar um tempinho e ir às urnas para votar nas pessoas que estarão todos os dias cuidando das nossas crianças!
Diariamente crianças e adolescentes, em grande número, precisam de ajuda. Às vezes um apoio eventual, relacionado a um acontecimento, outras vezes se trata de acompanhamento da vítima, da família e dos espaços onde surgem agressões e restrições de direitos. Esses trabalhos envolvem relação com o Ministério Público, o Poder Judiciário, a Delegacia de Polícia, a Prefeitura, instituições e entidades.
A tarefa dos Conselhos Tutelares vai da recepção das denúncias até o monitoramento dos resultados. Para quem nunca viu de perto a ação dessas pessoas, pode até achar simples. Vou dar um exemplo: alguém telefona anonimamente para o Conselho Tutelar e diz que uma criança que mora ao lado de sua casa está sendo estuprada e sofre espancamentos de um parente. Trata-se de uma abordagem complexa, que exige conhecimento da legislação, agilidade, cuidados de toda ordem, colocando a proteção da criança indicada como vítima em primeiro lugar.
Anexo aqui algumas cartas que recebi que falam dos Conselhos Tutelares em Goiânia, com conhecimento e autoridade. Para conferir locais de votação, aqui está o endereço indicado: www.cmdca.go.gov.br.
Marina Sant’Anna

Aos Pais e Mães
Só quem tem filhos, ou convive com crianças e adolescentes sabe quão árdua é a tarefa de educar e proteger os pequenos. Ainda mais nos dias de hoje, em que a vida foi tão banalizada. Por isso nós, que amamos nossas crianças, devemos unir nossas mãos em busca de um presente melhor para elas.
E este presente – que garante o futuro – já está sendo desenhado e precisa melhorar. Se é difícil garantir educação e segurança para suas crianças em casa, imagine para mais de 10.000 crianças e adolescentes que são todos os dias abandonados e agredidos, ficando à mercê do poder público.
Para este trabalho existe o Conselho Tutelar. Um órgão sério, permanente e autônomo que possui os profissionais que melhor conhecem os direitos da Criança e do Adolescente no Estado. O Conselho cobra 24 horas por dia posição e andamento de processos das autoridades responsáveis pelas vidas de centenas de crianças. Esses conselheiros são escolhidos através do seu voto, que por não ser obrigatório e tampouco divulgado, quase nunca acontece.
Eu, que sou Presidente Voluntária da ONG CEVAM – Centro de Valorização da Mulher – há 16 anos e recebo mais de 150 crianças abandonadas ou agredidas por mês, sou a primeira a levantar a bandeira da importância desta votação e pedir a sua participação neste ato de democracia pelas crianças e adolescentes.
As eleições acontecem a cada três anos e elegem cinco conselheiros (as) para cada região da cidade: Norte, Leste, Centro-Sul, Oeste, Noroeste e Campinas. E para votar é simples: no dia 29 de novembro, vá até sua zona eleitoral com título de eleitor e identidade. Você pode votar em até cinco conselheiros (as) tutelares para sua região. Lembrando que assim como nas eleições tradicionais, escolher bem os representantes é fundamental para que eles correspondam à confiança neles depositada.
Dolly Soares Nº 120 – Região Centro-Sul
Fone: 91352753

O Conselho Tutelar é um órgão mantido pelo município, mas deliberado por lei federal, sendo obrigatória a implantação de pelo menos um conselho tutelar por município. Como alguns municípios não investem muito na área social e muito menos especificamente na área da criança e do adolescente, foi criado a Resolução 75 do CONANDA – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente que delibera que a cada 200 mil habitantes se crie pelo menos um conselho tutelar. Essa resolução foi modificada recentemente por um grupo de militantes ligados à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República – SEDH-PR, onde prevê que a cada 100 mil habitantes se crie um conselho tutelar. Essa resolução vai ser apresentada como projeto de lei ainda esse ano, dispõe sobre os parâmetros para a criação e funcionamento dos Conselhos Tutelares e dá outras providências.
O Conselho Tutelar é um órgão que se encontra na “ponta” da comunidade, recebendo primeiro todas as notícias pertinentes a essa área e tendo um contato mais estreito com a população. Se o poder público tivesse consciência de como os conselhos tutelares estão os representando junto à comunidade, estes investiram mais em órgãos tão relevantes para a defesa e garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
O Conselho Tutelar, objetivamente, é um órgão de proteção das crianças e adolescentes trabalhando conjuntamente com as famílias, tentando resolver situações como: conflitos familiares, maus-tratos, violência física, sexual e/ou psicológica, necessidade de expedir documentação (certidão de nascimento e identidade), encaminha para o primeiro emprego, requisita vaga em creches, escolas, cursos profissionalizantes, entre outras ações que fazem do Conselho Tutelar um órgão de referência para todas as situações que se refiram às crianças e adolescentes.
O Conselho Tutelar também tem como atribuição fiscalizar todas as entidades que atendem direta ou indiretamente crianças e adolescentes, formando assim vínculos estreitos com essas entidades, buscando melhorias para as mesmas. Vale ressaltar que muitas vezes o conselheiro tutelar consegue encaminhar uma criança ou um adolescente para uma dessas entidades, devido a amizade e parceria que estabelece com estas. Este órgão também contribui para os planos de governo e proposta de orçamento que possa beneficiar o público pelo qual se destina a atender, sendo assim, consegue diagnosticar e mapear aonde é necessário mais investimento do poder público, fato que muitas vezes causa indisposição com o poder executivo, que não compreende o quanto esse órgão pode ser importante para que os investimentos possam ser mais eficazes e menos obsoletos.
Por fim, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República considera esse órgão como fundamental na garantia dos direitos humanos de crianças e adolescentes e, por isso, tem investido de várias formas nestes órgãos, inclusive destinando verba para as secretarias de estado ou direto para as associações de conselheiros, tentando garantir o que na maioria das vezes o poder municipal não garante.
Frase da Carta Aberta, relacionada ao artigo 227 da Constituição Federal Brasileira e ao artigo 4ª do Estatuto da Criança e do Adolescente: “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do PODER PÚBLICO assegurar, com Absoluta Prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.” (Lei Federal 8069/90 – ECA, art. 4º)
Carlos Elias Nº505 – Região Noroeste
Fone: 99286258

Novo Processo de Escolha para Conselheiros Tutelares
No último domingo de agosto, dia 30, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA aplicou uma prova de conhecimentos específicos aos pré-candidatos para os seis Conselhos Tutelares de Goiânia. Tratou-se de um pré-requisito para efetivação da candidatura dos interessados em pleitear uma vaga como conselheiro tutelar, contemplando conhecimentos sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, a principal lei utilizada para o exercício da função; exigindo ainda, conhecimentos sobre Políticas Públicas nas áreas da educação, saúde, trabalho, habitação, segurança e assistência social.
Quem teve acesso à prova constatou sua extrema dificuldade, devido à qualidade de sua elaboração e a legalidade que trazia seu conteúdo. Poderíamos constatar que desde a promulgação do ECA que legalizou a criação do Conselho Tutelar como órgão de proteção, encarregado de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente definidos por esta lei, Goiânia avançou com passos largos buscando eleger conselheiros tutelares melhores capacitados e com experiência comprovada na área da infância e adolescência.
Além da prova de conhecimentos específicos, os pré-candidatos tiveram que comprovar o trabalho efetivo com crianças e adolescentes por no mínimo dois anos, através de declaração original de no mínimo duas entidades governamentais ou não-governamentais, regularmente inscritas e registradas no CMDCA. Esse documento teria sua legitimidade averiguada e ainda solicitou-se atestado médico de psiquiatria, oftalmologia, dermatologia e clínico geral, para só então efetivar a inscrição para participar da prova eliminatória de conhecimentos gerais.
A prova aplicada esse domingo, reprovou 42% dos inscritos para o processo de escolha dos conselheiros tutelares de Goiânia. Com certeza, esse é um momento para ser comemorado, pois trata-se do processo de moralização da eleição dos futuros Conselheiros Tutelares da capital, que além de terem passado por essas etapas, serão submetidos ao crivo da comunidade de cada região de Goiânia (leste, oeste, norte, noroeste, centro-sul e campinas) que votarão através de urnas eletrônicas, pois outro avanço neste processo, foi a contratação do serviço idôneo e prático do Tribunal Regional Eleitoral – TRE.
Parabenizamos o colegiado do CMDCA de Goiânia, bem como sua comissão eleitoral que tão bem elaborou a prova e a corrigiu com presteza e clareza. Fiquem de olho na eleição que acontecerá em novembro deste ano, dispondo de candidatos muito bem selecionados, que comprovaram experiência e capacitação para uma nova gestão de conselheiros tutelares.
Ana Lídia Fleury, Presidente da Associação dos Conselheiros Tutelares do Estado de Goiás.
Conselheira Tutelar – Região Leste / Psicóloga

CARTA ABERTA
O colegiado dos Conselheiros Tutelares de Goiânia se manifesta junto aos atores do Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes e à comunidade em geral, sobre a atual situação da Política Municipal de Atendimento à Criança e ao Adolescente em Goiânia.
O Conselho Tutelar, como órgão de proteção, defesa e fiscalização dos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, Lei Federal 8.069 de 13 de julho de 1990, sente-se IMPOTENTE diante da demanda de atendimento, pois ao aplicar as medidas de proteção pertinentes aos casos, não há um conjunto articulado de ações governamentais e não-governamentais que possam efetivá-las, mesmo sendo essa uma exigência da mesma lei.
Em se tratando do acesso às políticas públicas de educação infantil (CMEI), ensino fundamental, educação comunitária, inclusão no mercado profissionalizante e de trabalho, o Conselho Tutelar possui dificuldade de viabilizar o acesso de crianças e adolescentes a essas políticas, pois não há vagas suficientes para contemplar a demanda existente, prejudicando consideravelmente as famílias que já se encontram em situação de vulnerabilidade.
Quando há notícias de crianças e adolescentes em situação de rua e/ou vítimas de violência física, psicológica ou sexual, que exige a aplicação de medidas de proteção de forma rápida e eficiente, o Conselho Tutelar se depara com diversas dificuldades. Quando há necessidade da aplicação da medida excepcional e provisória de abrigamento, as poucas unidades disponíveis são mantidas pela sociedade civil, sendo que o poder público deveria assumir essa responsabilidade, havendo apenas um abrigo de manutenção estadual que atende crianças de 0 a 11 anos.
Quando é necessário encaminhar um adolescente em situação de risco pessoal e/ou social para o mercado de trabalho, não há programas de caráter público que incluem o adolescente de 14 ou 15 anos de idade, e os programas existentes não legitimam o caráter legal da “requisição” do Conselho Tutelar, havendo apenas um programa estadual que aceita requisições do Conselho Tutelar, a partir de 16 anos completos.
Quando um adolescente deseja e necessita se recuperar da dependência química, não há leitos suficientes para internação nos Hospitais Gerais e os Centros de Atenção Psicossocial são insuficientes para atender a demanda. Não há centros de atenção 24hs para o paciente que necessita desses cuidados, existindo apenas centros de recuperação oferecidos por entidades de iniciativas religiosas ou ONGs que na maioria das vezes se encontram super lotadas, e onde o Conselheiro Tutelar muitas vezes precisa “implorar” por uma vaga com o objetivo de recuperar o adolescente.
Nota-se que com a desconstrução da política de atendimento à Criança e ao Adolescente em Goiânia, houve um aumento considerável e visível de crianças e adolescentes em situação de rua, se submetendo a mendicância e trabalho informal infantil, e o trabalho que existia de abordagem e acolhimento foi desconstruído de tal forma, que hoje depende apenas de uma quantidade mínima de educadores.
O poder público que deveria investir em uma área tão nobre e carente, prefere dizer que está “economizando”, quando se trata de uma área que merece investimento constante. As entidades não-governamentais, movidas por um dever moral, ético e até mesmo religioso oferecem os serviços que deveriam ser oferecidos obrigatoriamente pelo poder público.
A promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente que no corrente mês completa 19 anos, trouxe avanços no atendimento e na maneira de olhar a criança e o adolescente, tornando-os sujeito de direitos e não mais “objeto” de intervenção, tirando-os da condição de “menor”; mas ainda há muito que se fazer. Necessitamos exigir do poder público o cumprimento da Prioridade Absoluta prevista em lei, garantindo o lugar de criança e adolescente no orçamento e nos planos de governo.
Essa luta é de todos nós! “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do PODER PÚBLICO assegurar, com Absoluta Prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.” (Lei Federal 8069/90 – ECA, art. 4º)
Apoio:
Associação dos Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado de Goiás/ACTGO
Comissão da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal de Goiânia
Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude e Educação do Ministério Público/Goiás
Alguns candidatos e candidatas que já conheço há mais tempo e outros com quem pude conversar ou recebi solicitação de atenção para suas candidaturas, lembrando que cada eleitor/a pode votar em até 5 nomes:
Alessandra Borges – Região Oeste – Nº 400
Almir da Mata – Região Leste – Nº 301 (81130920)
Anderson Sales – Região Leste – Nº 303
Carlos Caetano – Região Campinas – Nº 603 (99335600)
Carlos Elias – Região Noroeste – Nº 505 (99286258)
Cleusa – Região Sudoeste – Nº 405
Edna Vaz – Região Norte – Nº 207 (32641142)
Elaine Dias – Região Centro-Sul – Nº 107
Derley Assunção – Região Oeste – Nº 408
Dolly Soares – Região Centro-Sul – Nº 120 (91352753)
Glauco Borges – – Região Centro-Sul – Nº 109
Joãozinho – – Região Centro-Sul – Nº 112
José Nilton – Região Noroeste – Nº 514
Junio Rodrigues Pinheiro – Região Leste – Nº 317
Leandro Dias – Região Leste – Nº 318
Liliene Santos – Região Leste – Nº 319
Lurdes – Região Campinas – Nº 622
Pastor Jônatas Resende – – Região Centro-Sul – Nº 113
Patrícia Ferreira Neres Vieira – Região Leste – Nº 325 (85586331)
Renilton Borges – Região Noroeste – Nº 523
Valdomiro Borba – Região Noroeste – Nº 528
Verinha – Região Sudoeste – Nº 431
Vicente Gomes – Região Leste – Nº 328
Wanderley – Região Centro-Sul – Nº 140 (85811900)
Wanderson Marinho – Região Centro-Sul – Nº 141
Wesley Costa – Região Oeste – Nº 434
Wilson Sodré – Região Sudoeste – Nº 436
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Nesta tarde tive a oportunidade de assistir um filme com uma sala cheia de estudantes e representantes da Associação dos Deficientes Visuais do Estado de Goiás. A presidenta Geralda Lacerda, minha amiga há anos, fez o convite, ressaltando a importância da experiência de audiodescrição.
O filme O Signo da Cidade trata de um aporte de histórias, dramas, decisões, diversidade e beleza. Com a audiodescrição, o filme brasileiro narra as imagens e proporciona acesso às pessoas cegas e deficientes visuais devido a legenda. Também é oferecido como uma oportunidade a quem enxerga de experimentar, como se fora cego, utilizando um tecido preto nos olhos. Bom para todos e todas.
Dirigido por Carlos Alberto Riccelli e protagonizado por Bruna Lombardi, durante os 96 minutos, O Signo da Cidade atrai as emoções do nascimento de um bebê na rua ao espancamento de um travesti, com todas as marcas de crueldade. Passa por relações complexas e pessoas comuns das cidades, que pedem socorro a programas de rádio e pessoas desconhecidas.
Muita solidão em meio a milhões de passantes.
Este filme faz parte da 4a. Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, percorrendo estados brasileiros.
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