Liberdade e cultura de paz!

foto: Leo Iran

Beleza livre!!!

Foto: Leo Iran

Ary Soares, Ibama-Goiás, fala de recursos naturais, fiscalização e o Zoológico de Goiânia

Ary Soares dos Santos. Foto: jotacidade.com

Ary Soares dos Santos. Foto: jotacidade.com

Em um bate-papo descontraído, o Superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) em Goiás, Ary Soares dos Santos, conversou com a equipe do blog na última quarta-feira, 13. Atencioso, Ary pontuou várias questões importantes para quem se interessa pelo Meio Ambiente, explicando como são aplicadas algumas das políticas ambientais em Goiás e esclarecendo como funcionam procedimentos usuais ao IBAMA, como a destinação de madeira e animais apreendidos a partir de crimes ambientais. Entre os assuntos, Ary deu sua opinião sobre os zoológicos e sua devida importância na sociedade contemporânea. Confira na íntegra:

Recentemente, houve algumas mudanças na lei ambiental. Elas afetam, na prática, as políticas ambientais do Brasil?

Nós tivemos uma mudança específica, o decreto Mais Ambiente, que facilita as adequações ambientais daqueles que têm problemas acumulados ao longo do tempo. Por coincidência, ele é muito similar a um programa que o IBAMA de Goiás desenvolveu e vem implementando há cerca de dois anos. É a possibilidade de você conversar com aquele proprietário que tem passivo ambiental e estabelecer um acordo sem ônus de autuação ou sem ônus de embargo da área que está sendo usada indevidamente. O proprietário passa a contar com condições e prazos para fazer aquela adequação. Esse decreto foi a mudança mais recente e está gerando um pouco de polêmica, já que toda a legislação carece de um entendimento jurídico maior e alguns pontos não estão claros ainda. Mas não há mais nenhuma mudança sintomática. Existe hoje um grande debate sobre se a reserva legal vai deixar de existir, se as áreas de preservação permanente vão diminuir seus perímetros de proteção… mas isso ainda não foi colocado oficialmente. O decreto Mais Ambiente não tira nenhuma das obrigações ao qual diz respeito. Ele apenas minimiza a execução da legislação vigente.

Existem alguns projetos filantrópicos no interior do estado, como no município de Pirenópolis, que utilizam madeira certificada e doada pelo IBAMA para produzir móveis rústicos e capacitar jovens e adolescentes. Quando são feitas apreensões de madeira ilegal, a doação é o destino prioritário desse material?

Existem duas alternativas para dar destino a um determinado bem apreendido: levar a leilão – e aí esse recurso será apropriado pela União em um caixa único -, ou é feito um processo de destinação social desse bem. Especialmente nessa gestão em Goiás, nós temos nos empenhado bastante para seguir essa segunda opção. A madeira e qualquer produto que foi retirado ilegalmente da natureza e foi apreendido terá seu infrator autuado e, assim que avaliarmos as condições administrativas que envolveram o determinado processo, nós o destinamos a uma instituição filantrópica ou a uma prefeitura e assim por diante. Tentamos trazer o maior benefício social possível a aquilo que foi apreendido através de um crime ambiental.

E com os animais, como funciona?

No Brasil, o tráfico de animais é uma realidade extremamente preocupante. Nós temos alguns critérios específicos para fazer a destinação dos animais oriundos do tráfico. Quando você apreende ou quando uma pessoa entrega espontaneamente um animal silvestre, este animal irá passar por um processo de triagem, no Centro de Triagem de Animais Silvestres, o CETAS. E aí são avaliadas as condições de saúde do animal. Se ele estiver apto para a soltura na natureza, o animal passa por um segundo momento de adaptação. Isso acontece muito, por exemplo, com as aves em Goiás. O animal vai reaprender a se encaixar no meio ambiente, comer frutas do Cerrado, aprender a se alimentar sozinho e, gradativamente, a gente vai liberando esse animal na natureza. Essa é a prioridade. Já os animais que não tem condições de serem soltos na natureza por terem ficado dependentes do manejo humano, são preferencialmente destinados a um zoológico. Ele vai cumprir seu papel ali, destinado à educação ambiental, ao lazer e etc, em um espaço público. Não havendo interesse de um zoológico, vem uma outra possibilidade que é a de destinar o animal a criadores conservacionistas ou comerciais de animais silvestres. Quando chegamos a esse último estágio, de destinar a apreensão a um criador comercial, o processo é monitorado: o criador tentará formar casais, o que é difícil de ser feito e até oneroso para o criador e só os filhotes dos animais apreendidos é que podem ser vendidos. Ele jamais tem autorização para vender o animal que recebeu do IBAMA.

O Sr. citou o zoológico como um dos destinos dos animais apreendidos. Em Goiânia, temos um problema sério com o atual parque da cidade. As condições de criadouro dos animais são questionáveis, assim como o espaço físico do zoológico que não atende a várias exigências básicas. Como o IBAMA em Goiás tem lidado com essa questão polêmica, que é de responsabilidade do órgão e da prefeitura da capital? Existe uma atenção específica?

Sim, com certeza. Tanto é que o zoológico encontra-se embargado, sem poder manter nenhuma atividade de lazer e visitação  há mais de seis meses. Enquanto a administração do zoológico não demonstrar uma capacidade de gestão de todo aquele espaço, o IBAMA não irá autorizar a reabertura. Mas, quanto às mortes dos animais, isso é comum acontecer. Nós estamos falando de animais que foram inseridos em ambientes artificiais. É um animal que passou por stress, por problemas de saúde, por mudança de hábitos alimentares. Então não é incomum a morte de animais em criadouros. O que preocupou especialmente em Goiânia foi a alta mortalidade de grandes animais, hipopótamos, zebra, girafa e etc. Isso ganha um impacto social muito grande, a sociedade se mobilizou, pediu explicações, exigiu que providências fossem tomadas e todas as que eram possíveis foram tomadas pelo IBAMA e pelo Ministério Público Federal, que é o órgão que fiscaliza as nossas ações. Então o zoológico vai passar por um processo de readaptação de seus ambientes e, ao fim, vamos decidir qual é o plantel que o parque tem, de fato, condições de administrar. É uma situação que o IBAMA está gerenciando com toda a rigidez possível, com todo o critério técnico possível.

É preciso retirar o zoológico do centro da cidade?

Isso é uma opção da administração municipal. O que nós vamos avaliar, no final, é se as adaptações que forem feitas estão de acordo ao plantel, ou se é preciso diminuí-lo. Onde colocar o zoológico, a princípio, cabe à prefeitura. Obviamente que vai ser protocolado um processo junto ao IBAMA e iremos avaliar as condições físicas dessa futura instalação se assim for a opção da prefeitura.

Na sua opinião pessoal, os zoológicos hoje são necessários?

Olha, é difícil dar uma resposta cabal a essa pergunta. Até porque os zoológicos foram criados há décadas para propiciar um mínimo de interação entre o homem e a natureza. Existem situações em que você vai ter animais que não há para onde destinar. Por exemplo, quando você pega animais de uma relocação de uma hidrelétrica, em uma área que será inundada. O fato de você pegar o animal e relocar para outro ambiente causa uma competição com as espécies que já existem ali. O que vamos fazer? Sacrificar o excedente? Se a sociedade assim preferir, tudo bem. O gestor público trabalha com o que a sociedade demanda. O que nós temos hoje de prerrogativas legais é de dar a destinação adequada. Então, quando chega ao ponto de não conseguirmos dar a melhor destinação possível, com critério científico, o animal acaba indo para um zoológico. As situações tem que ser avaliadas caso a caso e, de forma alguma, podemos deixar que uma decisão extremamente técnica seja contaminada pelo emocional. Por mais bonito que pareça ao cidadão leigo o manejo de animais, nós estamos falando de um processo conduzido por técnicos, por biólogos qualificados. Há um estudo aprofundado de especialistas que conhecem a dinâmica biológica do animal e da flora. Se nos deixarmos levar pelo emocional e pelo sentimentalismo, podemos causar um dano maior ao ambiente natural e aos animais silvestres do quando somos mais rígidos na decisão.

Entrevista realizada pela Jornalista Aline Mil

Proposta nascida neste Blog ganha apoios! Saber tudo sobre os animais sem sacrificar sua liberdade! Educação e lazer para nossas crianças!

Há alguns dias vi uma reportagem sobre animais em processo de extinção sendo monitorados por estudantes de Biologia, Universidades e Ibama no Nordeste. Os macacos-prego, araras, papagaios e outras espécies ‘violentamente arrancadas da natureza’ por traficantes de animais votaram a seu ambiente, para usufruir da liberdade.

Não há dúvidas sobre o que a humanidade, em reeducação sobre a vida no planeta, deseja: harmonizar crescentemente todos os fatores de desenvolvimento, sob pena de registrar no futuro um nível de degradação incompatível com o conhecimento acumulado.

As atenções agora estão voltadas para Copenhague e os compromissos das nações através de seus chefes de estado.  A reunião da ONU deverá definir o acordo que limitará as emissões de gases de efeito estufa de todos os países, depois de 2012, quando expira o protocolo de Quioto.

Vinculo os dois assuntos neste texto porque se trata de uma visão que se expande para todos os espaços e vertentes da vida: a natureza, da qual fazemos parte.

Assim como desejamos que haja compromisso com a limitação da emissão de gases de efeito estufa, precisamos utilizar todas as oportunidades à mão em nossos municípios para dar saltos indispensáveis que visem melhorar as condições ambientais, educacionais, de saúde e demais aspectos que importam em uma sociedade com valores declarados em nossas cartas constitucionais.

Estamos divulgando a proposta inicial de um ‘novo zoológico’ para Goiânia, lançada neste Blog dia 20 de novembro de 2009. Defendo esta proposta porque porta, em si, uma visão estratégica para nossa Cidade, Estado, País. Para os demais países, poderá vir a ser um exemplo de boa aplicação de recursos públicos e privados, como ocorre no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. E traz consigo ainda mais razões de protagonismo, por se tratar da substituição de um modelo claramente desmerecedor dos esforços de caráter pedagógico realizados por educadores, pais e a sociedade, que é o adotado pelo Zoológico de Goiânia.

Um belo parque, com todas as informações que o atual modelo não oferece, com a alegria própria das descobertas do novo, com sabor de cultura de paz!

Ação do Ibama e Universidades: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1165307-7823-PARCERIA+ENTRE+IBAMA+E+UNIVERSIDADES+DO+NE+AJUDA+A+SALVAR+ANIMAIS,00.html

Museu da Língua Portuguesa:  http://www.poiesis.org.br/mlp/index.php

zoológico - grades

Goiânia é selva

Há tempos eu observo a movimentação da música em Goiânia e naturalmente faço parte desta movimentação devido às rimas e batidas que constroem meus rap´s. Não sei se é ousadia falar, mas esta cidade é uma das maiores produtoras de algazarra sonora que se tem noticia, são vários estilos, seja rap, rock, samba, musica regional e… Tá bom! Sertanejo também, tem nem como correr né?

Hoje esta diversidade proporciona aquela sensação de estar em uma selva e você fazer parte da fauna, nesta hora você se pergunta: de espécie eu sou? Cara! Que pergunta difícil de responder para o espelho viu! Para mim é tão complicado quanto para um vestibulando falar para o pai se vai ser advogado ou percussionista de uma banda de reggae do colégio. Poxa vida, esta pergunta não consegui responder ate hoje, então de repente surgiu àquela voz da consciência no lado direito do ombro e respondeu cheia de marra, “você é um hibrido mane.” Vixe, quediabehisso?! Pois é, cheguei a esta conclusão que não consigo ser apenas do rap ta ligado mano? Nem só do samba morô choque? Quanto menos só sertanejo cerrrto cumpade?

A gente ouve tanta coisa ao mesmo tempo, que seria uma tarefa tibetana bloquear os ouvidos para um só estilo. Até porque é impossível, dentro da minha casa, por exemplo, cada quarto toca uma coisa diferente, então amigão, fazendo uma analogia infame, se cada amante de um estilo musical fosse um bicho, eu seria um bicho sem nome, Fíduma égua com pai cachorro, irmã gata e irmão anta ao som de uma sinfonia animal, viva os bichos porque Goiânia é selva!

Dyskreto

Zoológico de Goiânia, até quando?

Passei a minha infância morando ali pertinho do Zoológico de Goiânia, na Rua R-7 esquina com a R-2, Setor Oeste, divisa com o Setor Coimbra. E vizinha da Celg (à época) e do Mercadinho São Judas Tadeu.

Adolescente, ia sempre estudar naquelas mesinhas com banco de madeira ou sentada no chão, em meio às árvores. Uma delícia! Depois um primo atendeu à minha manha e fiz uma coisa que aprendi pra sempre que não se faz: pedi que trouxesse da Bahia um mico-estrela. Simplesmente adorava aquele bichinho. Ganhei um filhote que fez amizade apenas comigo, o Francisco – um amigo com muita habilidade pra lidar com animais e uma miquinha que se comunicava com ele do zoológico, naqueles assobios intermináveis e, como ficava solta na árvores, ia pra minha casa namorar o Xistus. Uns fofos! Quando mudei pro Setor Jaó com minha família, o Xistus – este o nome dele – não se adaptou e armou uma confusão traumatizante na cozinha. Chorei muito, mas a opção foi correta e pra sempre: soltar o Xistus na mata que havia lá, pra alegria total do bichinho e minha convicção do tamanho do erro que cometi.

Nunca faltou água, comida e carinho pro ‘meu’ mico-estrela, mas ele era meu prisioneiro! Ele foi capturado de seu lugar e seu tempo pra ser visto, admirado, acariciado… E viver tristemente. Assim são os animais dos zôos. Não vejo sentido nisso! É preciso fazer a transição do período em que se pensava ser educativo levar crianças para ver animais enjaulados, praticamente sem movimentos, em direção ao uso de tecnologias disponíveis e acessíveis para bons projetos educativos.

Há um aspecto importante que não pode ser esquecido, que é a acumulação científica. As pesquisas e estudos que envolvem o uso da vida animal podem ser realizados com os indivíduos colocados em áreas de proteção ambiental, sob licenciamento e fiscalização do Ibama e outros procedimentos que os técnicos saberão encontrar. Há também o Museu de Ornitologia, dirigido pelo Prof. José Hidasi, que é premiado, tem prestígio e pode compor uma solução para o destino do Zôo de Goiânia.

Quando entrei pela primeira vez no Museu da Língua, me veio à memória o nosso Zoológico. Aquele complexo paulistano que inclui a Pinacoteca, a Estação da Luz, um espaço que já foi cadeia de presos políticos e ambiente propício à reflexão, de fato me agrada profundamente.

O Museu a que me refiro desenha, em diversos formatos, nossas origens de algum modo verbalizadas. Daí extrair uma palavra comum das telas, que pode ter origem espanhola, nagô ou japonesa. Podem-se ouvir as pronúncias das regiões do Brasil, com respeito e alegria, nas vozes de pessoas entrevistadas no próprio local onde vivem. Há um corredor com sons e imagens que permitem às pessoas ficarem ali sentadas por tempos, apreciando histórias relacionadas ao futebol, à poesia brasileira, a fatos destacados. A tela é todo um lado do enorme corredor. Há uma sala onde nos sentamos todos e todas pra ouvir poesias brasileiras, nas vozes de seus autores ou artistas populares conhecidos. E outras muitas oportunidades. Paguei quatro reais para entrar.

Por que não um Museu dos Animais no mesmo local onde hoje deixamos os animais enjaulados sob sol, chuva e exaustiva visitação? Podemos juntar de forma harmoniosa o Museu de Ornitologia e fazer uma conexão com o Jardim Botânico, em um projeto interligado de educação para uma cultura de paz e de desenvolvimento com cuidado pela vida!

Ao concluir um terceiro mandato de Vereadora de Goiânia em 2008 e ouvir de técnicos de outros estados que Goiânia tem o pior zoológico das capitais e um dos piores do Brasil, juntei a informação de ter ido a outros zôos e visto que, apesar de melhores condições de acolhimento e permanência dos animais, a verdade é que ele são pinçados de seu ambiente e cercados de imediato ou em gerações para que as pessoas possam ali passar e vê-los. Penso que em tempos anteriores, assim como se fazia nos circos, não havia o acúmulo que se tem hoje sobre meio ambiente e sobre os reflexos de nossos atos. Pensava-se na natureza como infinitamente provedora em toda a sua riqueza. E não havia meio também de oferecer informação sem a presença física dos animais. Hoje isso, definitivamente, não é mais necessário!

Minha sensibilidade com o tema permeou meus mandatos, mas realmente não havia encontrado uma proposta satisfatória. Entendo que esta pode ser uma ótima solução. Há museus que buscam artificialmente imitar os ecossistemas, o que também é válido. Mas penso que o custo de manutenção, a existência de um espaço digno para a execução desta proposta, que é o atual espaço do Zôo, a possibilidade de se buscar parcerias junto às esferas de governo e à iniciativa privada, na linha da responsabilidade social, bem como os resultados educadores a serem alcançados, podem significar uma mudança de tal porte que se transforme em referência para outros que procurem melhor solução em suas cidades.

Proponho que encaminhemos nossos velhos animais para a ‘aposentadoria’, com os cuidados que são merecedores; que os animais que podem voltar a ficar soltos, se alimentar e sobreviver sejam entregues aos lugares de onde foram tirados ou similares; e, para aqueles que podem permanecer nas áreas fiscalizadas pelo IBAMA, que sejam abrigados desse modo. Certamente os veterinários, zootecnistas e outros profissionais terão as saídas mais adequadas para os vários desafios.

Toda mudança importante causa perplexidade. É preciso abrir esta perspectiva para debate com desejo de alterar a atual performance e seus evidentes problemas!

Eduquemos nossas crianças para que sejam conhecedoras da história da humanidade e do Planeta e protagonistas de um mundo de paz e fraternidade!