Liberdade e cultura de paz!

foto: Leo Iran

Proposta nascida neste Blog ganha apoios! Saber tudo sobre os animais sem sacrificar sua liberdade! Educação e lazer para nossas crianças!

Há alguns dias vi uma reportagem sobre animais em processo de extinção sendo monitorados por estudantes de Biologia, Universidades e Ibama no Nordeste. Os macacos-prego, araras, papagaios e outras espécies ‘violentamente arrancadas da natureza’ por traficantes de animais votaram a seu ambiente, para usufruir da liberdade.

Não há dúvidas sobre o que a humanidade, em reeducação sobre a vida no planeta, deseja: harmonizar crescentemente todos os fatores de desenvolvimento, sob pena de registrar no futuro um nível de degradação incompatível com o conhecimento acumulado.

As atenções agora estão voltadas para Copenhague e os compromissos das nações através de seus chefes de estado.  A reunião da ONU deverá definir o acordo que limitará as emissões de gases de efeito estufa de todos os países, depois de 2012, quando expira o protocolo de Quioto.

Vinculo os dois assuntos neste texto porque se trata de uma visão que se expande para todos os espaços e vertentes da vida: a natureza, da qual fazemos parte.

Assim como desejamos que haja compromisso com a limitação da emissão de gases de efeito estufa, precisamos utilizar todas as oportunidades à mão em nossos municípios para dar saltos indispensáveis que visem melhorar as condições ambientais, educacionais, de saúde e demais aspectos que importam em uma sociedade com valores declarados em nossas cartas constitucionais.

Estamos divulgando a proposta inicial de um ‘novo zoológico’ para Goiânia, lançada neste Blog dia 20 de novembro de 2009. Defendo esta proposta porque porta, em si, uma visão estratégica para nossa Cidade, Estado, País. Para os demais países, poderá vir a ser um exemplo de boa aplicação de recursos públicos e privados, como ocorre no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. E traz consigo ainda mais razões de protagonismo, por se tratar da substituição de um modelo claramente desmerecedor dos esforços de caráter pedagógico realizados por educadores, pais e a sociedade, que é o adotado pelo Zoológico de Goiânia.

Um belo parque, com todas as informações que o atual modelo não oferece, com a alegria própria das descobertas do novo, com sabor de cultura de paz!

Ação do Ibama e Universidades: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1165307-7823-PARCERIA+ENTRE+IBAMA+E+UNIVERSIDADES+DO+NE+AJUDA+A+SALVAR+ANIMAIS,00.html

Museu da Língua Portuguesa:  http://www.poiesis.org.br/mlp/index.php

zoológico - grades

Zoológico de Goiânia, até quando?

Passei a minha infância morando ali pertinho do Zoológico de Goiânia, na Rua R-7 esquina com a R-2, Setor Oeste, divisa com o Setor Coimbra. E vizinha da Celg (à época) e do Mercadinho São Judas Tadeu.

Adolescente, ia sempre estudar naquelas mesinhas com banco de madeira ou sentada no chão, em meio às árvores. Uma delícia! Depois um primo atendeu à minha manha e fiz uma coisa que aprendi pra sempre que não se faz: pedi que trouxesse da Bahia um mico-estrela. Simplesmente adorava aquele bichinho. Ganhei um filhote que fez amizade apenas comigo, o Francisco – um amigo com muita habilidade pra lidar com animais e uma miquinha que se comunicava com ele do zoológico, naqueles assobios intermináveis e, como ficava solta na árvores, ia pra minha casa namorar o Xistus. Uns fofos! Quando mudei pro Setor Jaó com minha família, o Xistus – este o nome dele – não se adaptou e armou uma confusão traumatizante na cozinha. Chorei muito, mas a opção foi correta e pra sempre: soltar o Xistus na mata que havia lá, pra alegria total do bichinho e minha convicção do tamanho do erro que cometi.

Nunca faltou água, comida e carinho pro ‘meu’ mico-estrela, mas ele era meu prisioneiro! Ele foi capturado de seu lugar e seu tempo pra ser visto, admirado, acariciado… E viver tristemente. Assim são os animais dos zôos. Não vejo sentido nisso! É preciso fazer a transição do período em que se pensava ser educativo levar crianças para ver animais enjaulados, praticamente sem movimentos, em direção ao uso de tecnologias disponíveis e acessíveis para bons projetos educativos.

Há um aspecto importante que não pode ser esquecido, que é a acumulação científica. As pesquisas e estudos que envolvem o uso da vida animal podem ser realizados com os indivíduos colocados em áreas de proteção ambiental, sob licenciamento e fiscalização do Ibama e outros procedimentos que os técnicos saberão encontrar. Há também o Museu de Ornitologia, dirigido pelo Prof. José Hidasi, que é premiado, tem prestígio e pode compor uma solução para o destino do Zôo de Goiânia.

Quando entrei pela primeira vez no Museu da Língua, me veio à memória o nosso Zoológico. Aquele complexo paulistano que inclui a Pinacoteca, a Estação da Luz, um espaço que já foi cadeia de presos políticos e ambiente propício à reflexão, de fato me agrada profundamente.

O Museu a que me refiro desenha, em diversos formatos, nossas origens de algum modo verbalizadas. Daí extrair uma palavra comum das telas, que pode ter origem espanhola, nagô ou japonesa. Podem-se ouvir as pronúncias das regiões do Brasil, com respeito e alegria, nas vozes de pessoas entrevistadas no próprio local onde vivem. Há um corredor com sons e imagens que permitem às pessoas ficarem ali sentadas por tempos, apreciando histórias relacionadas ao futebol, à poesia brasileira, a fatos destacados. A tela é todo um lado do enorme corredor. Há uma sala onde nos sentamos todos e todas pra ouvir poesias brasileiras, nas vozes de seus autores ou artistas populares conhecidos. E outras muitas oportunidades. Paguei quatro reais para entrar.

Por que não um Museu dos Animais no mesmo local onde hoje deixamos os animais enjaulados sob sol, chuva e exaustiva visitação? Podemos juntar de forma harmoniosa o Museu de Ornitologia e fazer uma conexão com o Jardim Botânico, em um projeto interligado de educação para uma cultura de paz e de desenvolvimento com cuidado pela vida!

Ao concluir um terceiro mandato de Vereadora de Goiânia em 2008 e ouvir de técnicos de outros estados que Goiânia tem o pior zoológico das capitais e um dos piores do Brasil, juntei a informação de ter ido a outros zôos e visto que, apesar de melhores condições de acolhimento e permanência dos animais, a verdade é que ele são pinçados de seu ambiente e cercados de imediato ou em gerações para que as pessoas possam ali passar e vê-los. Penso que em tempos anteriores, assim como se fazia nos circos, não havia o acúmulo que se tem hoje sobre meio ambiente e sobre os reflexos de nossos atos. Pensava-se na natureza como infinitamente provedora em toda a sua riqueza. E não havia meio também de oferecer informação sem a presença física dos animais. Hoje isso, definitivamente, não é mais necessário!

Minha sensibilidade com o tema permeou meus mandatos, mas realmente não havia encontrado uma proposta satisfatória. Entendo que esta pode ser uma ótima solução. Há museus que buscam artificialmente imitar os ecossistemas, o que também é válido. Mas penso que o custo de manutenção, a existência de um espaço digno para a execução desta proposta, que é o atual espaço do Zôo, a possibilidade de se buscar parcerias junto às esferas de governo e à iniciativa privada, na linha da responsabilidade social, bem como os resultados educadores a serem alcançados, podem significar uma mudança de tal porte que se transforme em referência para outros que procurem melhor solução em suas cidades.

Proponho que encaminhemos nossos velhos animais para a ‘aposentadoria’, com os cuidados que são merecedores; que os animais que podem voltar a ficar soltos, se alimentar e sobreviver sejam entregues aos lugares de onde foram tirados ou similares; e, para aqueles que podem permanecer nas áreas fiscalizadas pelo IBAMA, que sejam abrigados desse modo. Certamente os veterinários, zootecnistas e outros profissionais terão as saídas mais adequadas para os vários desafios.

Toda mudança importante causa perplexidade. É preciso abrir esta perspectiva para debate com desejo de alterar a atual performance e seus evidentes problemas!

Eduquemos nossas crianças para que sejam conhecedoras da história da humanidade e do Planeta e protagonistas de um mundo de paz e fraternidade!