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Você sabe quanto o Governo do Brasil investe na sua região?


Confira aqui.

Ana Júlia Nascimento

Doutoranda em Sociologia pela
Universidade de Brasília.

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Dia Internacional da Mulher

Ser mulher…

Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a
nossa própria substância. (Simone de Beauvoir)

Mulher, mulher, na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um
dez, sou forte mas não chego aos teus pés (Erasmo Carlos)

Respeito e dignidade não têm um dia específico no calendário para serem praticados, são ações cotidianas que perpassam pela vida de populações inteiras, e espera-se que seja condição sine qua non para uma boa convivência em sociedade e exercício da cidadania e democracia.

Ganhar um dia internacional, significa obter visibilidade, além dos já mencionados respeito e dignidade. O dia 8 de março destina-se à comemorar o dia Internacional da mulher. Penso eu que tal fato, é um avanço para as mesmas, e soma-se à diversas outras conquistas obtidas por elas.

Historicamente as mulheres foram oprimidas, violentadas, mal tratadas e silenciadas no mundo todo. O movimento feminista junto a outros movimentos sociais como o movimento negro, estudantil, homossexual, têm ajudado a debater, enfatizar, questionar e mudar a realidade da vida da mulher. Há avanços em diversas esferas.

O machismo ainda é muito presente em nosso cotidiano, porém, através das conquistas alcançadas pelas mulheres, há um empoderamento por parte das mesmas, que resultam em conquistas, físicas e simbólicas para que a opressão e o desrespeito contra esse público diminua, ou quem sabe mesmo que se acabe por completo.

Hoje vemos com maior freqüência as lideranças femininas, em postos de trabalhos, igrejas, na vida acadêmica, movimentos sociais, na vida política, na chefia dos domicílios, ou seja, a mulher vem conquistando postos antes não imaginados a elas.

As mulheres deixaram de ser sujeitas e passaram a construir e escrever suas próprias histórias.

E é por isso que acho relevante parar nesse dia, pelo menos alguns minutos, e pensar na real importância que ele deve ter na sociedade. Algumas mulheres pagaram com a própria vida, não estão mais conosco para vivenciar os avanços que se tem alcançado no que tange aos direitos calorosamente conquistados por mulheres guerreiras, que acreditavam na possibilidade de mudança, lutaram e conquistaram diversos espaços da sociedade.

O que uma escritora holandesa falou do Brasil (email que está circulando na internet, recebi hoje de um amigo e quero compartilhar)

Foto: Ana Júlia Nascimento

Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil, realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos.. Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não há nada automatizado.

Só existe uma companhia telefônica e pasmem: Se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.

Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo – ou de lavar as mãos antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne.

Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal – e tem fila na porta.

Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador.

Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria e qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir pra lá dar aulas de ‘Como conquistar o Cliente’.

Vocês têm uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa.

Os brasileiros são vitimas de vários crimes contra a pátria, crenças, cultura, língua, etc… Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para resgatar suas raízes culturais.

Os dados são da Antropos Consulting:

1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.

2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.

3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.

4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.

5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.

6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.

7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.

8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.

9. Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.

10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO-9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.

11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.

Por que esse vício de só falar mal do Brasil?

1. Por que não se orgulham em dizer que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?

2. Que têm o mais moderno sistema bancário do planeta?

3. Que suas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?

4. Por que não falam que é o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?

5. Por que não dizem que são hoje a terceira maior democracia do mundo?

6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?

7. Por que não se lembram que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?

Por que não se orgulham de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando.

É! O Brasil é um país abençoado de fato.

Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos. Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques..

Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.

Bendita seja, querida pátria chamada Brasil !!

Divulgue esta mensagem para o máximo de pessoas que você puder. Com essa atitude, talvez não consigamos mudar o modo de pensar de cada brasileiro, mas ao ler estas palavras irá, pelo menos, por alguns momentos, refletir e se orgulhar de ser BRASILEIRO!!!

Pirenópolis

Para mim, cada dia que vou a Pirenópolis parece a primeira vez!

As energias se renovam! Bom seria se tod@s tivessem acesso a esse tipo de turismo, que proporciona diversão e descanso!

Goiás tem muitos lugares lindos e agradabilíssimos, que devem ser visitados e (re) visitados!

O nascer de um novo ano

O nascer de um novo ano…

E nasce 2010, as expectativas, promessas, crenças, metas, coisas novas, as de sempre, as mesmas estações do ano serão vivenciadas, o meses, o carnaval, dia das mães, a páscoa, férias de julho, dia dos pais, comemorações religiosas diversas, o dia das crianças, d@s professores, e antes das comemorações de Natal e Ano Novo, não podemos nos esquecer do ano eleitoral!

Promessas…

Crenças…

Metas…

Será que esse ano vai? O meu partido vai fazer algo que eu possa me orgulhar? A minha candidata vai concorrer? Colocaremos mais mulheres no poder? Cobraremos a efetivação das promessas?

Seremos menos machistas, homofóbic@s, classistas, bairristas, xenofóbic@s, deslumbrados, as coisas vão melhorar?

São tantos questionamentos, dúvidas, mas ao mesmo tempo, a esperança é um sentimento que não nos deixa desistir. O ano novo faz renascer em nós sentimentos que nos ajudam a continuar.

As chuvas e desabamentos tem mudado o cenário e castigado demasiadamente nosso país. Tristeza!

Os índices de desemprego diminuem. Alegria!

Há mais vagas nas Universidades Públicas, mais bolsas de estudos, a vacina da gripe tipo “A” já está disponível nos postos de saúde, continuamos na luta contra a dengue, a violência no trânsito e doméstica, é mais fácil e barato viajar de avião, adquirir um computador, um carro, uma moto, há financiamentos habitacionais, as pessoas estão conseguindo, aos poucos suas conquistas. Eu vi e vejo mudanças.

Não gosto daquelas pessoas que sentam e falam mal do governo, acredito que cada um fazendo a sua parte, a cada tijolinho assentado, teremos uma grande construção, um país melhor, uma vida mais digna, conquistas, motivos para comemorar, e assim vamos “tocando” a vida!

Vambora Brasil! Vambora Goiânia, pois ainda temos coisas a fazer…

E lembremo-nos que o Impeachment funcionou anos atrás.

Se não tiver bom a gente muda!

Chega de opressão. Pensando combater qualquer tipo de violência!

Consciência NegraNas últimas duas semanas, rememoramos e comemoramos o Dia da Consciência Negra (20/11) e o Dia Internacional de não violência contra a mulher (25/11). Esses dias, em conversa com Marina, brinquei, disse que esse nome, “dia de não violência” sugere que os outros dias possam ser de violência… Era só brincadeira!

Acho válida a proposta, digno as pessoas abordarem tais assuntos em suas vidas cotidianas, os políticos colocarem nas agendas públicas, as escolas introduzirem com mais ênfase tais debates, propiciando uma educação mais plural (que haja realmente preocupação com @ outr@) pontuar historicamente o quanto negr@s e mulheres foram mal tratad@s, violentad@s, marginalizad@s, oprimid@s, esquecid@s, silenciad@s, desprotegid@s pelo próprio Estado.

Estamos na era dos direitos humanos. Mudaram as formas de pensar o próximo. Acredito que estamos na fase inicial de reconhecimento de uma luta que já é travada há anos. A bíblia já dizia que devemos amar o próximo como a nós mesm@s, vivemos em um país que afirma ter a bíblia como referência. Precisamos então, sair da esfera discursiva e operacionalizar as práticas de não violência, não reprodução da mesma, respeitar de fato quem é diferente de nós.

O feriado do Dia da consciência negra foi boicotado em alguns estados. O discurso mercadológico afirmou que tal comemoração acarretaria prejuízos monetários! Fala sério! E os prejuízos simbólicos de uma vida toda de discriminação? Prejuízo é assistir aos filmes, ver relatos dessa violência, comparecer as delegacias, ouvir vítimas, assistir o noticiário e ver que as pessoas ainda utilizam a cor da pele e as questões ligadas ao gênero para oprimir outras.

Em 500 anos, algumas pessoas parecem ter aprendido pouco! O Brasil é um país sui generis, isto é, tem uma natureza específica. O povo brasileiro foi constituído de uma mistura racial que culminou na configuração atual. Lembremo-nos, quem queria uma raça PURA era Hitler, para isso matou milhares de pessoas! Que medo!

E as mulheres? Mudas, atrás dos homens, no cenário doméstico, mãe, reprodutora, oprimida, violentada sexualmente, não podia votar, não tinha onde reclamar da violência, era ridicularizada, enfim, durante vários anos foi hostilizada!

Parar um dia e refletir sobre essas questões significa avanço! Não estamos dizendo que estas ações não são cotidianas, reflexivas, devem estar presentes nas esferas pública e privada, repassadas de geração à geração, panfletadas nas escolas e lugares públicos diversos.

Espelhos: algumas reflexões sobre a cultura brasileira

Ser brasileiro implica carregar consigo uma série de adjetivos. Bons ou ruins, depende do referencial. Problematizo o que seja bom e o que seja ruim.

Acho fantástico fazer parte de uma cultura miscigenada. Aqui, vivemos juntos e misturados, a mistura é racial, cultura e lingüística, somos uma espécie de colcha de retalhos, formada por pequenas partes, interligadas umas com as outras. Cada uma dessas partes tem tons diferenciados, porém, juntas, formam um todo, um só corpo, a cultura brasileira.

O cidadão brasileiro é um pouco de tudo. Vive entre um povo diferente, mas que tem em comum a brasilidade. Por brasilidade entendo o espírito que une as pessoas, o jeitinho de sempre conseguir as coisas, a solidariedade, sentar a tarde na beira da rua, fazer um puxadinho, botar água no feijão, agregar pessoas, vidas, culturas, enfim, se juntar para assistir jogos, chorar a morte de um ídolo, parar em frente a televisão e se comover com uma cena de violência, fome, miséria, além da diversidade de sotaques, comidas, jeitos de vestir, músicas, danças, costumes, etc.

No exterior, assumir a identidade brasileira é se expor, geralmente a idéia associada a viver no Brasil é carregada de ítens pejorativos. Não somos o país do carnaval, da preguiça e do futebol! Não! Somos parte de um povo de coração gigantesco, de uma cultura rica pelas diferenças e que na soma, resulta em um só.

Desde a colonização feita por portugueses e espanhóis, o Brasil foi estigmatizado. Estigma porque aqui havia índio, porque as roupas aqui utilizadas não eram as mesmas do padrão europeu, porque se andava com pouca roupa, porque a língua era difusa, por fazer parte da América Latina. Vivemos durante muitos anos, fazendo referências às culturas européia e norte-americana. Somos comparados, o tempo todo. O nosso espelho é sempre o europeu ou o norte americano. E nisso, algumas características da cultura brasileira, quase se perderam totalmente.

Costumo dizer que gente não se compara, tampouco é possível comparar culturas. Temos que considerar a história de cada povo, as especificidades, a colonização, a língua, os valores, enfim, fico preocupada quando ouço pessoas falando que nossa justiça tinha que ser como a do país tal, que nossas crianças não seguem um ou outro modelo de comportamento e beleza, que as mulheres que vivem seguem a moda que vem de fora, que o carro importado dá mais status que os fabricados aqui, até o chocolate, feito com leite das “vaquinhas” européias recebem maior êxito e sabor que o feito no Brasil.

O pior é quando se vai a uma loja e a vendedora diz, olha, compra mesmo, é tudo que há de mais moderno, as atrizes norte americanas estão usando. Não quero ser moderna, quero ser respeitada, ser feliz, brasileira, goiana, mulher, negra, estudante, amiga, amante, filha. Tudo isso do meu jeito, carregando obviamente a língua e cultura do meu país de origem.

O Brasil teve suas fronteiras físicas invadidas na chegada do colonizador, tentando impor comportamentos e valores. Isso culminou uma espécie de fronteira social, que está presente até os dias atuais.

Nossa identidade foi sempre marcada como contraditória e tendeu a sofrer com tantas influências importadas e impostas de outros países, não se impõe uma cultura sobre a outra, o que se pode fazer é somar, descobrir quem é o outro. Isso é um exemplo de respeito e alteridade.

Exemplo de longevidade: Morre o antropólogo Claude Lévi-Strauss aos 100 anos de idade

O antropólogo é o astrônomo das ciências sociais: ele está encarregado de descobrir um sentido para as configurações muito diferentes, por sua ordem de grandeza e seu afastamento das que estão imediatamente próximas do observador. (Lévi- Strauss -Antropologia Estrutural, 1967)

Nas primeiras aulas de Teoria Antropológica no curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, há dez anos, ouvi pela primeira vez o nome de Levi-Strauss. Confesso, era tudo novidade para mim, mais um dos tantos autores que professores apresentavam. Aos poucos, aprendi a relevância de seu pensamento. A professora de Antropologia falava incessantemente da importância desse autor para o crescimento do curso de Ciências Sociais no Brasil, bem como de sua relevância no debate antropológico como um todo.

A sociedade perdeu no último sábado, 31/10/2009 um ser humano, cientista, professor, antropólogo e etnólogo fantásticos, morre o centenário Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Intelectual de renome, fundamental para a antropologia mundial, um dos fundadores da Universidade de São Paulo (USP), Lévi-Strauss foi um marco intelectual do pensamento social, considerado um dos nomes mais importastes do século XX.

Seu principal legado (se há como fazer tal classificação) foi o rompimento com a abordagem antropológica clássica funcionalista, inaugurando o estruturalismo, corrente de pensamento dominante na segunda metade do século XX. Procurava afastar o etnocentrismo, que via na cultura Européia Ocidental a única forma de produção de pensamento e conhecimento, Lévi-Strauss considerava a cognoscitividade das culturas observadas, dando autonomia aos povos estudados, os elegendo também como produtores de saber.

Além da produção de várias teorias, estudos e publicações no campo da antropologia, Lévi-Strauss também contribuiu amplamente nas áreas da filosofia, sociologia, história e literatura.

Lévi-Strauss realizou parte de seu trabalho de campo no Brasil. Etnólogo, relatou a vivência nos trópicos. Em Mato Grosso, realizou estudos sobre os índios bororos, cadiuéus e nambiquaras. Em algumas de suas viagens passou pela capital de Goiás- Goiânia, hospedando-se no Centro da nossa Capital.

Suas principais obras são: As Estruturas Elementares do Parentesco, Tristes Trópicos, Antropologia Estrutural, O Pensamento Selvagem, Sociologia e Antropologia, Mitológicas, Olhar- Escutar- Ler, Minhas Palavras, além das coletâneas de fotografia tiradas no Brasil, Saudades do Brasil e Saudades de São Paulo.

Em tempos que estudar o aumento da longevidade, o envelhecimento ativo, as contribuições, materiais e simbólicas dos idosos, o legado dessa geração para as de faixa etária menor é tão relevante para ciências sociais, jurídicas e médicas, falar da morte de um centenário é oportuno.  A Sociologia das Gerações trata bem desse fenômeno.

Enquanto conhecedora dessa realidade e mediante o exposto, cabe a mim, falar do prestígio de ter acesso ao legado intelectual de Claude Lévi-Strauss, bem como observar o Sr. Lévi-Strauss, o idoso, centenário, que há quase um século vem compartilhando conhecimento, mostrando que envelhecer é algo digno, é fazer história, é deixar contribuições, questionamentos e pontos de partida para que sigam as gerações mais novas.

A comunidade acadêmica nesta semana de finados está em luto pela morte de Lévi-Strauss, porém, feliz por conhecer seu trabalho, levando consigo muito do que ele ensinou. Tenho orgulho em escrever sobre esse autor, sobretudo, falar do idoso, detentor de muitos saberes, e de uma história de vida que será rememorada por gerações diversas, durante muitos anos.

Rompendo barreiras, vivendo a diferença, conhecendo o novo…

Esses e outros tantos títulos, eu poderia atribuir a minha primeira experiência de ir a uma festa trance, a “Up music”, que aconteceu no último final de semana em Goiânia (24 e 25/10). Diria que foi uma comemoração em grande estilo do aniversário da minha cidade!

Goiânia com seus 76 anos tem mostrado maior preocupação com a diversidade. Sei que ainda há muito a avançar, principalmente, no que tange à preconceitos e discriminação com o que é diferente! Ser diferente não deve estar ligado à construção de hierarquias, sejam elas, raciais, sexuais, culturais, econômicas, profissionais, sociais, religiosas, de estilos de vida, dentre outras.

A Teoria Antropológica nos ensina que transformar o familiar em exótico e o exótico em familiar, não é tarefa fácil, mas deve ser exercitada.

Então, no último sábado fui convidada para ir a uma festa trance. Num primeiro momento, meus pensamentos viajaram, antes mesmo de responder se eu ia ou não. O interessante disso tudo foi o fato de não me imaginar num evento desses, assim como boa parte das pessoas. Resistem por falta de conhecimento, rotulam e muitas vezes não se oportunizam a conhecer aquilo que não faz parte da rotina, não vivem o que a cidade oferece. Eu fui e gostei muito!

Para aqueles que não conhecem, faço uma descrição densa do que seja a festa. Uma noite deliciosa, quente e iluminada. Multidão! O primeiro traço de diversidade era percebido ao se aproximava do local. Gente chegando a pé, de moto, de carro, carros novos, outros nem tanto, pessoas vindo de todos os lados, com a mesma expectativa e busca: diversão!

Tudo era de fato divertido. As cores, luzes, sons, feirinhas de produtos artesanais, DJ’s, árvores devidamente iluminadas, ambientes diversos, peças ornamentais, todos os estilos de pessoas, de chinelos, sandálias, tênis, botas, botinas, camisetas, vestidos, jeans, uma roupa mais elaborada, fantasias, maquiagens, ausência delas, chapéus, bonés, boinas, maculelê, êmo, rock, pop, básico, clássico, enfim, difícil descrever a multiplicidade de estilos.

Experiência incrível, clima agradável, uma espécie de boate a céu aberto, num mix com barraquinhas de comidas e bebidas diversas, entretenimento, lúdico, assim mesmo, tudo junto! Sem luzes em excesso e a acústica fica formidável porque o som se propaga, não fica pesado, não polui, e para aqueles que ainda “insistem em fumar” (sem apologia alguma), pelo menos não o fazem num local fechado.

E ainda, música o tempo todo, brinquedos, iluminação fantástica, carrinho de pipoca, de sorvete, cachorro quente, pizza, segurança, muitas pessoas, mas nenhum tumulto, cuidados com a saúde e o bem estar, organização, corpo de bombeiros sempre atento, ambulância, policiamento, estacionamento, enfim, só tenho coisas boas a falar!

As pessoas estavam ali pra se divertir. Tinha gente de todas as idades, tamanhos e cores, de partes distintas da cidade, que aos poucos, enfeitavam a noite, cada um(a) com sua irreverência, especificidade, diferença, atitude, beleza, estilo, forma…

Comemorando o aniversário de Goiânia, esse evento nos permite observar a vivencia com a cidade e na cidade, derrubando rótulos estereotipados que a capital abrigue apenas um ou outro estilo de música.

Partilha

Prazer, sou Ana Júlia Nascimento, mulher de quase 30 anos, socióloga, doutoranda em Sociologia pela Universidade de Brasília. Extremamente preocupada, polemiozadora, inquieta, “super afim” de discutir, compartilhar, trocar informações, pensar nos problemas sociais, sobretudo, falar abertamente, sobre temas da vida cotidiana.

Faço parte do grupo privilegiado de pessoas que ajudarão a trazer temas para reflexão nesse blog, acreditando sempre, numa discussão horizontal, desprovida de preconceitos, respeitando opiniões diferentes da minha, justamente por entender que o crescimento e o respeito sejam pautados no reconhecimento da pluralidade e alteridade.

Bem vind@s a um espaço de PARTILHA que tem tudo para nos levar a profundas análises e debate sobre temas diversos!

Sexualidades: Diversidade sexual em foco

A diversidade sexual, assunto ainda polêmico em alguns espaços, é foco de discussões acadêmicas e do movimento social. Atendendo essas demandas, realizou-se, de 3 a 7 de setembro de 2009, a sétima edição do Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual (ENUDS), na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte. O evento contou com a participação de estudantes do Brasil todo, havendo uma representatividade regional, além disso, houve participação de estudantes da Colômbia, tentando dialogar as mesmas questões: gênero, sexualidade, diversidade cultural e racial, ainda que, em culturas diferentes.

O tema do evento era bastante instigante: “Academia e Militâncias em diálogo: diversidade sexual e lutas sociais”, abarcou discussões importantíssimas sobre a realidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros e transexuais, mostrando como a luta pela diminuição das “fobias” e pelo reconhecimento da diversidade tem se travado no Brasil, dos avanços e retrocessos, das pesquisas acadêmicas, do movimento social e do diálogo entre militância e academia.

Além da diversidade sexual, a questão racial, gênero, diferenças etárias, de classe social e regionalidades  intereseccionaram o debate, visto que, a diversidade sexual é também cercada de embates que envolvem estes temas, e possui ampla necessidade de discussão e conscientização públicas.

Acredito que, o fato de estar na sétima edição, mostra o quão relevante é o encontro, propondo-se discutir temas, aparentemente pouco tratados, mas que vêm cotidianamente, alcançando visibilidade nas agendas públicas, escolas, na mídia e na sociedade em geral. Isso fica evidenciado na riqueza dos debates, que contou com a presença de graduand@s, graduad@s, mestrand@s, mestres, doutorand@s, doutor@s e pós doutor@s de diversas áreas do conhecimento, bem como, com o público que está fora da academia e assim mesmo, luta cotidianamente pelos direitos da população LGBTTT, os movimentos sociais, grupos e ONG´s.

O ENUDS é uma oportunidade de sair do discurso pautado na heteronormatividade (normas binárias, socialmente construídas, baseada em padrões “eleitos” como certos, normais, que privilegiam a heterossexualidade e subjuga a diversidade sexual) e compartilhar experiências de quem sofre preconceito diariamente, por ser lésbica, bissexual, gay, travesti transexual, negra, negro, pobre, não tão bel@, mulher, homem feminizado, mulher masculinizada, não ter um padrão de corpo estabelecido, enfim, saber que as pessoas matam, agridem, humilham, ofendem, discriminam, viram as costas, enfim, reproduzem preconceitos com aqueles que não seguem a norma de corpo e sexualidade padrões, e eu questiono, que norma?

Eventos desse porte, tais como cenas habituais de homofobia, nos leva a algumas reflexões. Vivemos ou não em um país democrático? A luta pela felicidade e pelo reconhecimento da diferença do público LGBTTT, ou ainda, a luta pela promoção da igualdade, incomoda muita gente no Brasil e no mundo. O ENUDS é uma tentativa, dentre as várias outras, para que o mundo seja mais colorido, menos fóbico e mais diverso, pautado no respeito e na promoção de uma cidadania plena.