UM GARÍ, UM VENDEDOR DE COCO E UMA ATENTENDE DA AMMA.
Parabenizo Goiânia, seus 78 anos, sua gente. S. João Marciano, gari da Comurg, senhor de sorriso grande, dentes de ouro, 100% simpatia. Encontrei com S. João Marciano no domingo 23, passeava logo cedo com nosso cachorrinho Toddy na pista do Parque Areião e lá estava o S. João varrendo as sujeiras da cidade, balão de festa, copo descartável, plástico, um horror; parei e puxei um dedo de prosa.
- Bom dia senhor, qual é o seu nome?
- Bom dia, é João Marciano.
- Se fossemos uma sociedade evoluída, o senhor não precisaria fazer esse serviço, não é mesmo?
- Ele me olhou com calma, eu já estava com sua vassoura nas mãos e me respondeu: – É verdade, embora percebesse nitidamente seu olhar querendo me dizer que o emprego lhe era muito necessário.
- O serviço do senhor deveria ser outro! O de orientador da população, “EDUCAR AS PESSOAS PARA NÃO JOGAR LIXO NAS RUAS E SIM JOGAR LIXO NO LIXO.” Quem resistisse e jogasse lixo no chão seria multado pelo senhor, que deixaria de ser gari e passaria a ser EDUCADOR DA HIGIENIZAÇÃO URBANA.
S. João Marciano totalmente aliviado e com o emprego garantido, abriu o sorriso grande e revelou o que na minha infância chamávamos de “boca rica”, uma pessoa que colocava ouro para restaurar dentes.
- Sabe que essa ideia é boa, comentou o simpático senhor. Mas tá muito longe de acontecer, a sociedade ainda não tá preparada pra isso não.
- Quem sabe S. João, a gente falando a ideia, ela dá certo? Lembrei na hora da Deputada e amiga Marina Sant’Anna! Despedi do S. João Marciano e já estava satisfeito demais por aquele momento rico.
Mais adiante um bocadinho, encontro com José Severiano, vendedor de Coco. Ele estava preocupado com uma árvore já morta prestes a cair, que ainda se sustentava na grade; o risco era grande de cair em cima do seu comércio, como também na pista de caminhada e até machucar alguém.
Não pensei duas vezes, peguei o celular liguei para AMMA e buscamos a resolução do problema. Fui muito bem atendido pela Luana Cardoso que educada foi fazendo todo o procedimento necessário, enquanto o José Severiano com um facão à mão cortava os galhos mais perigosos; toda ação gerou um protocolo (nº0352859). Durante a conversa com Luana lembrei-me de um macaquinho morto que encontramos na calçada, próximo ao Hospital de Urgência e Luana com sua voz doce me esclareceu que remoção de animal morto iria gerar outro procedimento, outro protocolo. Perguntei-lhe se ia demorar muito. Não senhor Hamilton, agora é mais rápido já tenho todos os dados do senhor; o senhor vai querer efetuar o procedimento? Como já estava íntimo da Luana, falei quero sim minha querida. Como o Toddy já estava agoniado, despedi-me do José Severiano e combinamos acompanhar o protocolo (nº 0352860) de remoção do finado macaquinho.
Um começo de domingo maravilhoso, muita gente correndo a maratona em volta do parque, cuidando da saúde, cuidando da vida. Problemas por toda parte, soluções também. Assim comecei a comemorar o aniversário de Goiânia. À tarde com Valéria Vilela minha cunhada, Barbara e Luísa minhas sobrinhas, fomos ao Parque Flamboyant, passear e assistir ao excelente espetáculo Luas e Luas, produção da Escola Zabriskie, depois assistimos missa na Igreja Coração de Maria, fomos ver o Diego tocar, a Valéria ficou em sua casa fazendo bolo e eu fui visitar a tia Elizena, mãe do Xexéu. Encerrei a noite comendo um delicioso bolo de cenoura com chocolate feito pela Valéria.
Para completar, no dia 24 de outubro levei minha avó de 91 anos, Dona Albertina da Silva Rezende, para passear no parque Vaca Brava, ela ficou sentadinha apreciando o lago, fazendo suas orações, cantando hinos para Iemanjá, bebeu água de coco. Tive a sorte de ver trechos da também excelente peça de Arthur Azevedo, do diretor amigo Samuel Baldani, encenada ao ar livre com ator e atriz usando voz sem microfone, o que claro rendeu um sonoro elogio meu. À tarde, mais diversão, clube com a família, só alegria e banho de bica. Às 20 horas reunião na Fundação Otavinho Arantes.
Obrigado Goiânia, minha aldeia!
Hamilton José Amorim Rezende
Primavera 2011 Outubro 25, Goiânia.
Correção do texto da minha amiga e colaboradora Lilia.
Quem ama a correção ama o conhecimento.
