Navegação acessivel

Pesquisar no MarinaSant'Anna.com
Cadastre-se para receber nossos informativos diários.

20/04/2011 0h31

Zoológico de Goiânia, até quando?

Data: 20 de novembro de 2009

Passei a minha infância morando ali pertinho do Zoológico de Goiânia, na Rua R-7 esquina com a R-2, Setor Oeste, divisa com o Setor Coimbra. E vizinha da Celg (à época) e do Mercadinho São Judas Tadeu.

Adolescente, ia sempre estudar naquelas mesinhas com banco de madeira ou sentada no chão, em meio às árvores. Uma delícia! Depois um primo atendeu à minha manha e fiz uma coisa que aprendi pra sempre que não se faz: pedi que trouxesse da Bahia um mico-estrela. Simplesmente adorava aquele bichinho. Ganhei um filhote que fez amizade apenas comigo, o Francisco – um amigo com muita habilidade pra lidar com animais e uma miquinha que se comunicava com ele do zoológico, naqueles assobios intermináveis e, como ficava solta na árvores, ia pra minha casa namorar o Xistus. Uns fofos! Quando mudei pro Setor Jaó com minha família, o Xistus – este o nome dele – não se adaptou e armou uma confusão traumatizante na cozinha. Chorei muito, mas a opção foi correta e pra sempre: soltar o Xistus na mata que havia lá, pra alegria total do bichinho e minha convicção do tamanho do erro que cometi.

Nunca faltou água, comida e carinho pro ‘meu’ mico-estrela, mas ele era meu prisioneiro! Ele foi capturado de seu lugar e seu tempo pra ser visto, admirado, acariciado… E viver tristemente. Assim são os animais dos zôos. Não vejo sentido nisso! É preciso fazer a transição do período em que se pensava ser educativo levar crianças para ver animais enjaulados, praticamente sem movimentos, em direção ao uso de tecnologias disponíveis e acessíveis para bons projetos educativos.

Há um aspecto importante que não pode ser esquecido, que é a acumulação científica. As pesquisas e estudos que envolvem o uso da vida animal podem ser realizados com os indivíduos colocados em áreas de proteção ambiental, sob licenciamento e fiscalização do Ibama e outros procedimentos que os técnicos saberão encontrar. Há também o Museu de Ornitologia, dirigido pelo Prof. José Hidasi, que é premiado, tem prestígio e pode compor uma solução para o destino do Zôo de Goiânia.

Quando entrei pela primeira vez no Museu da Língua, me veio à memória o nosso Zoológico. Aquele complexo paulistano que inclui a Pinacoteca, a Estação da Luz, um espaço que já foi cadeia de presos políticos e ambiente propício à reflexão, de fato me agrada profundamente.

O Museu a que me refiro desenha, em diversos formatos, nossas origens de algum modo verbalizadas. Daí extrair uma palavra comum das telas, que pode ter origem espanhola, nagô ou japonesa. Podem-se ouvir as pronúncias das regiões do Brasil, com respeito e alegria, nas vozes de pessoas entrevistadas no próprio local onde vivem. Há um corredor com sons e imagens que permitem às pessoas ficarem ali sentadas por tempos, apreciando histórias relacionadas ao futebol, à poesia brasileira, a fatos destacados. A tela é todo um lado do enorme corredor. Há uma sala onde nos sentamos todos e todas pra ouvir poesias brasileiras, nas vozes de seus autores ou artistas populares conhecidos. E outras muitas oportunidades. Paguei quatro reais para entrar.

Por que não um Museu dos Animais no mesmo local onde hoje deixamos os animais enjaulados sob sol, chuva e exaustiva visitação? Podemos juntar de forma harmoniosa o Museu de Ornitologia e fazer uma conexão com o Jardim Botânico, em um projeto interligado de educação para uma cultura de paz e de desenvolvimento com cuidado pela vida!

Ao concluir um terceiro mandato de Vereadora de Goiânia em 2008 e ouvir de técnicos de outros estados que Goiânia tem o pior zoológico das capitais e um dos piores do Brasil, juntei a informação de ter ido a outros zôos e visto que, apesar de melhores condições de acolhimento e permanência dos animais, a verdade é que ele são pinçados de seu ambiente e cercados de imediato ou em gerações para que as pessoas possam ali passar e vê-los. Penso que em tempos anteriores, assim como se fazia nos circos, não havia o acúmulo que se tem hoje sobre meio ambiente e sobre os reflexos de nossos atos. Pensava-se na natureza como infinitamente provedora em toda a sua riqueza. E não havia meio também de oferecer informação sem a presença física dos animais. Hoje isso, definitivamente, não é mais necessário!

Minha sensibilidade com o tema permeou meus mandatos, mas realmente não havia encontrado uma proposta satisfatória. Entendo que esta pode ser uma ótima solução. Há museus que buscam artificialmente imitar os ecossistemas, o que também é válido. Mas penso que o custo de manutenção, a existência de um espaço digno para a execução desta proposta, que é o atual espaço do Zôo, a possibilidade de se buscar parcerias junto às esferas de governo e à iniciativa privada, na linha da responsabilidade social, bem como os resultados educadores a serem alcançados, podem significar uma mudança de tal porte que se transforme em referência para outros que procurem melhor solução em suas cidades.

Proponho que encaminhemos nossos velhos animais para a ‘aposentadoria’, com os cuidados que são merecedores; que os animais que podem voltar a ficar soltos, se alimentar e sobreviver sejam entregues aos lugares de onde foram tirados ou similares; e, para aqueles que podem permanecer nas áreas fiscalizadas pelo IBAMA, que sejam abrigados desse modo. Certamente os veterinários, zootecnistas e outros profissionais terão as saídas mais adequadas para os vários desafios.

Toda mudança importante causa perplexidade. É preciso abrir esta perspectiva para debate com desejo de alterar a atual performance e seus evidentes problemas!

Eduquemos nossas crianças para que sejam conhecedoras da história da humanidade e do Planeta e protagonistas de um mundo de paz e fraternidade!

Tags: , , ,

Link Reduzido: http://bit.ly/gVEezv

Compartilhar:

Deixe um Comentário

  • Interaja conosco em nossas redes sociais

Partido dos Trabalhadores

MANDATO POPULAR MARINA SANT'ANNA - PT(GO)


Câmara dos Deputados, Anexo III, 1º andar, Gabinete 279 - Brasília - DF - Fone: (61) 3215-5279

Todos os direitos reservados. All rights reserved © 2011

Equipe do Site:

Jornalista Responsável: Regina Magnabosco
Criação: Diogo Noleto,
Edygar Oliveira e Ronny Carlos
Manutenção: Ronny Carlos e Diogo Oliveira
Ir ao Início do site