Marina Sant’Anna
Por curiosidade fui buscar o que seria ‘homem público’ e li que é aquele que se dedica ou é ligado à vida pública. Adiante vi que ‘homem do mundo’ é lido como um homem da sociedade e que ‘homem do povo’ é visto como representativo dos interesses do homem comum. Muitas outras características são acentuada e inesperadamente positivas.
Fui então ao que se pensa sobre a mulher e vi que mulher pública, mulher do mundo, mulher do povo, mulher da rua e outras identificações querem dizer, naqueles dicionários, pura e simplesmente ‘meretriz’. Isso eu saindo da adolescência e muito animada com a participação da mulher nos movimentos democráticos de 1970/80. Há pouco fui dar uma olhada nas atualizações e… ops! Quero mais atualizações!
As mulheres estão estudando muito, passando nos concursos públicos, ampliando suas carreiras, avançando como profissionais, militantes políticas, assumindo cargos e responsabilidades de grande poder! As adultas dos núcleos familiares fazem tudo coexistir com a função amorosa e exigente do cuidado em função de quem não tem autonomia temporária ou permanente para se cuidar.
Quem é a Mulher Pública? É aquela cuja palavra, gesto, história, projeto, imagem têm repercussão coletiva!
Quem é Mulher do Povo, Mulher do Mundo, Mulher da Vida? Todas nós, mulheres, que nos juntamos às melhores batalhas pela vida, pelo nosso planeta, no combate à fome, ao racismo, à violência, às discriminações, ao abandono!
Somos também Mulheres da Rua porque estamos em todos os lugares. Somos Garis, professoras, comerciárias, empresárias, taxistas, motoristas de ônibus, repórteres, fotógrafas, motociclistas, assistentes sociais!
Estas somos nós! Mulheres de todos os jeitos, talentos e lugares! Partilhamos, entre mulheres e homens, os caminhos da humanidade.
Somos mulheres, ora certas, ora ‘erradas’. Damas, comédias, brilhantes! Somos a expressão da experiência da sociedade sobre o mundo, sobre o feminino. Gente que ri, chora e se indigna! Que elabora possibilidades e superação! Que se apresenta e disputa espaço.
Quem somos nós? Mulheres Públicas falando, fazendo, influenciando!
Marina Sant’Anna é advogada. Foi Vereadora de Goiânia e Candidata a Governadora de Goiás
Publicado em O Popular, 07 de março de 2010 – www.opopular.com.br
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O QUE ACONTECEU COM AS MULHERES?
Repetidamente comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Em torno dessa data uniram-se mulheres no mundo inteiro. Lutas contra as ditaduras sanguinárias que infestaram a América Latina contaram com as mobilizações encabeçadas pelas mulheres. Na Argentina as Mães da Praça de Maio marcaram com seus pés e lágrimas a luta contra a brutalidade que matou trinta milhões de jovens, até que viram ruir as muralhas da morte. No Brasil e em outros países pisados pelas botas do imperialismo as mulheres somando-se a todo o povo bradaram unidas o alvorecer da liberdade. Entidades de lutas pelos direitos da mulher ergueram-se altivas e fortes em todo o Brasil. A luta continua, com muito terreno a ser conquistado.
O que acontece hoje com as mulheres? Pergunto-me aqui com meus botões. Ao assistir e ler a mídia tenho a impressão de que o dia da mulher, nascido de grandes lutas por justiça e por igualdade, virou apenas ornamentação e banalização da mulher. Batons e cirurgias plásticas apenas iludem figurinos de mulheres que viraram demonstração de produtos, engrossando o vazio que toma conta da insignificância que a elite dominante atribui à mulher. Sinto a dor de quem foi enganada pelos que sempre “enrolam” o povo com seus cantos de sereias. Essa mídia, de propriedade da elite dominante, me frustra e entristece. Sinto-me traída.
Felizmente olho para as centrais sindicais e entidades femininas e vejo a causa salva e alimentada pelo mesmo espírito de luta por mais desenvolvimento com distribuição de renda. Vejo as mulheres lutadoras com as bandeiras da reformas agrária, urbana, da saúde, da educação, de reformas amplas sociais e econômicas empunhadas com coragem e consciência.
Vejo as minhas irmãs lutadoras embaladas pelos mesmos sonhos das que tombaram lutando pela vida de seus filhos. Nelas me inspiro para lutar. Nelas vejo o feminino que se mistura com o cio da terra e se ergue frondoso como a floresta amazônica. Nelas me encorajo a reciclar minha reflexão e minhas atitudes como mulher corajosa e aguerrida. Com elas sinto vontade de lutar sem acomodação e motivada pela criatividade inteligente. A inteligência de quem reflete e luta a partir do pensamento e das ações coletivas, libertas do individualismo das falsas liberdades e independências sem povo e sem comunidade.
Sei que a grande mídia retroalimenta as futilidades do mercado, colorindo a mulher de falsa beleza. Mas eu não quero essa feminilidade fútil. Quero ser mulher, sim. Orgulho-me de ser mulher. Mas quero ser mulher bonita, indígena, brasileira, lutadora e trabalhadora, que se enfeita e se embeleza à frente do espelho, mas que se embeleza muito mais com o perfume e a maquiagem das mulheres índias, negras e brancas que ajudam a construir uma sociedade mais justa e digna de nós e de nossos filhos. Quero ser mulher companheira e mãe, que participe da construção de uma história de qualidade de vida e de real liberdade coletiva para todos. Quero ser mulher liberta de machismos opressores, dos que gritam e humilham as mulheres. Quero ser mulher gentil acompanhada e amada por um homem gentil e generoso, capaz de lutar a meu lado em favor de uma sociedade feminista, generosa e gentil, onde meus filhos sejam livres do machismo bolorento e opressor.
Nesse sentido penso que vale a pena comemorar o Dia Internacional da Mulher. Viva as mulheres que lutam por real liberdade e independência!
Com carinho e luta, Jucilene Barros – Guríndia.
Marina, sem que você saiba, sempre estou acompanhando, apoiando todo movimento para melhorar o planeta e principalmente o ser humano, estamos nestas causas que você defende.
Parabéns!!!