A Invasão do Samba
Texto de Aline Mil
Nessa sexta, 29, acontece a segunda edição da Virada do Samba, evento que reúne quatro dos grupos que enchem a noite goianiense de mais alegria em bares e restaurantes da cidade. A festa será no picadeiro do Circo Lahetô (estacionamento do estádio Serra Dourada), a partir das 21h, e contará com os shows das bandas De Volta ao Samba, Em Nome do Samba, Fat Samba e Samba Recado.
“O evento é uma autoprodução das bandas”, explica o radialista e comerciante Jorge Leite, 46, que atualmente participa do grupo Samba Recado e é um dos idealizadores do Movimento Virada do Samba. Jorjão, como é chamado pelos amigos, está há mais de 20 anos envolvido em projetos musicais e há 5 se dedica ao samba. As bandas prometem reviver grandes sucessos do samba tradicional e também do samba rock, agregando público e consolidando seus trabalhos.
Movimento
Não mais só de sertanejo e rock vive a noite goianiense. As rodas de samba são a nova coqueluche nos bares da cidade e é quase impossível encontrar algum estabelecimento vazio nas tardes e noites dedicadas ao ritmo. Em resposta a esse bom momento, os grupos e músicos que promovem as rodas de samba começam a se unir para criar um verdadeiro movimento em prol do mais brasileiros dos ritmos. Ainda assim, os passos são dados com cautela. Para Diogo Noleto, 25, o movimento do samba em Goiânia ainda não é grande comparado aos cenários do sertanejo e do rock alternativo. Ele, que é estudante de publicidade e escuta samba desde criança, acredita que a unidade entre os grupos é o caminho para democratizar o samba na cidade. “O ritmo ainda se concentra em locais muito elitizados. Em Goiânia, o samba deveria ser mais socializado”, aponta.
Diogo toca pandeiro e também participa dos vocais do grupo Em Nome do Samba, que se apresenta há cerca de um ano e tem como quartel-general as noites de domingo no bar Café Nice. Formada por dois primos e dois amigos da família, a Em Nome do Samba surgiu em meio às rodinhas feitas em festas e encontros. “De um ano para cá é que resolvemos organizar a bagunça e daí surgiu a banda”, brinca ele. Durante cerca de 8 meses, a Em Nome do Samba se apresentou ao lado da cantora Rosa Ferraz e agora o quarteto segue somente com as vozes masculinas. O cardápio musical da banda inclui grandes nomes do samba tradicional, samba-enredo, partido-alto e ainda pitadas de bossa-nova. “Adoniran Barbosa, Geraldo Pereira, João Bosco, Vinicius de Moraes, Toquinho… O nosso foco maior é o samba tradicional.” De acordo com Diogo, no show de hoje cada um dos quatro grupos deve tocar em torno de 15 músicas de seu repertório.
Foi só depois que começaram a tocar nos bares que a Em Nome do Samba conheceu outros grupos, como o De Volta ao Samba, que há cinco anos se apresenta em Goiânia e foi uma das primeiras bandas a fomentar o gosto pelo ritmo nos goianienses. A banda passou por quase todas as casas noturnas da cidade e fixou raízes no já extinto Chopp 10, onde tocou por cerca de 3 anos. Para Lucas Toletto, integrante da banda desde o início das apresentações, em 2005, os espaços abertos ao samba cresceram e, talvez por isso, também tenha aumentado o número de rodas de samba e artistas voltados para difundir o ritmo. “A iniciativa de criar um movimento em prol dos grupos e do samba é muito bacana, pois podemos fazer eventos com peso maior, com um público maior.” O De Volta ao Samba sempre atuou com convidados (a formação mantém 6 integrantes, mas normalmente cerca de 9 músicos sobem ao palco) e com eventos próprios, além dos shows em estabelecimentos privados. “Nos nossos aniversários e nos carnavais, sempre gostamos de convidar outros grupos, outros músicos, juntar o pessoal. Agregar é positivo”, pontua ele. A expectativa de Lucas é de que os eventos em conjunto continuem em 2010. “Não é à toa que demos o nome de ‘primeira’ Virada do Samba. Esperamos que essa seja a primeira de várias!” De acordo com o integrante, o De Volta ao Samba está focado na produção do seu primeiro disco, que já tem nome: Um pé aqui, outro no Samba. “Será uma série com músicas de compositores goianos e também de grandes nomes como Chico Buarque, Noel Rosa e Ari Barroso.” A influência de Chico é muito forte na banda, não é à toa que o nome da banda foi retirado de uma das canções do disco Paratodos, de 1993.
2ª Virada do Samba
Show com quatro grupos de samba de Goiânia
(Em Nome do Samba, De Volta ao Samba, Fat Samba e Samba Recado)
Circo Lahetô (estacionamento do estádio Serra Dourada)
29/01, a partir das 21h
R$ 10

















