Fortalecida no Processo de Eleição Direta (PED) do PT goiano, no final de novembro, a tendência Movimento Cerrado mostra disposição contrária às eleições anteriores – quando defendia candidatura própria – e adota como prioridade as alianças eleitorais em Goiás. Orientação da cúpula nacional do partido e do Palácio do Planalto, o foco é fazer um palanque forte para a candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff no Estado.
No PED, que define o espaço que cada tendência do partido terá no diretório e a composição dos delegados das tendências para as convenções petistas, o Movimento Cerrado fez sozinho 95 dos 280 delegados. A chapa que mais obteve delegados, com 154 membros, agrupava quatro das maiores tendências do partido.
Com a reeleição do presidente Valdi Camárcio, o grupo liderado pelo deputado federal Rubens Otoni ainda mantém grande força interna, mas já não reina sozinho no interior do Estado, onde o Movimento Cerrado mais avançou este ano.
A importância dos delegados vem do fato de que são eles que em março, no encontro da militância, decidirão a política de alianças da sigla em Goiás. Em 2008, por apenas um voto (115 a 114) os delegados de Goiânia levaram o partido a apoiar a reeleição do prefeito Iris Rezende (PMDB) e indicar o vice da chapa.
“Aquela visão de que o Rubens Otoni tinha a hegemonia no interior não corresponde à realidade. Ele tem muita força e influência em grandes municípios, mas conseguimos cavar um espaço muito significativo”, afirma uma liderança ligada a Pedro Wilson.
“O Pedro atuou ‘mineiramente’, renovando suas bases, e conseguiu agregar grande influência no interior”, avalia o vereador Djalma Araújo, cuja corrente interna, a Vanguarda Petista, enfrentou o Movimento Cerrado no último PED, aliando-se a Otoni .
Presidente do diretório metropolitano do partido, o deputado estadual Luis Cesar Bueno relativiza o crescimento. “No PED é normal quem tinha pouco aumentar a participação, mas esse grupo não tem grande espaço no diretório regional (apenas cinco dos 17 membros). Mas, dentro de uma visão partidária, marcaram uma posição importante mostrando independência”, pondera Luis Cesar.
Mas o avanço do Movimento Cerrado pouco deve alterar no projeto do partido para a disputa eleitoral do próximo ano. “Defendemos a união de todos os partidos da base do presidente Lula, mas por enquanto sem imposição de nomes. A prioridade tem de ser aquele candidato que unir mais, sendo do PT ou não”, afirma a ex-vereadora Marina Sant’Anna, uma das lideranças do grupo.
Embora ela defenda Otoni como pré-candidato a governador pelo PT, admite que a tendência hoje é de apoio ao candidato do PMDB. Mudança de postura? Segundo Marina, apenas uma questão de conjuntura. “Continuamos acreditando que foi um erro o PT apoiar a reeleição de Iris e não ter candidato próprio em 2008. Mas não vivemos de passado e agora temos uma eleição diferente, num contexto diferente”, explica.
A avaliação geral é de que dificilmente um nome do partido conseguiria unir grande número de legendas aliadas, em especial o PMDB, que não abre mão de lançar candidato próprio. E um racha desta base enfraquece o palanque para a ministra Dilma. No entanto, a política de alianças ainda não é questão fechada no PT.
“Se houver uma pulverização de candidaturas, o PT pode adotar uma tática diferente, lançando candidato”, afirma a ex-vereadora Marina Sant’Anna. “Mas esse não é o cenário ideal. Acreditamos que o melhor é a união de PT, PP e PMDB já no primeiro turno”, ressalva.
Uma candidatura a governador do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), que em 2008 não teve o apoio do Movimento Cerrado, também não é mais vista com restrições pelo grupo. Embora acreditem que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PMDB), seria uma alternativa mais viável por ter mais facilidade para agregar o PP, os petistas admitem que Iris também é um nome forte para formar o palanque de Dilma.
“Iris foi muito habilidoso ao dar continuidade a projetos da gestão de Pedro Wilson e isso ajudou a vencer algumas resistências políticas e pessoais que haviam dentro do PT”, afirma um membro do Movimento Cerrado. Pelo menos dois projetos de maior visibilidade o prefeito deu continuidade. O Macambira/Anicuns, que será a maior intervenção urbanística e ambiental na história de Goiânia, e o Restaurante Popular, inaugurado no final de outubro.
Nas duas ocasiões, Pedro Wilson foi o convidado de honra, recebendo elogios de Iris. Na avaliação de pessoas próximas ao deputado, isso não só ajuda a superar os atritos que tiveram em 2004 e 2008 como também passa uma mensagem de convergência à militância.
“Iris tem densidade eleitoral, discurso e projeto, o que faz dele um candidato muito competitivo e que atende o projeto do PT”, afirma o vereador Djalma. “O problema é que ele não deve agregar o PP, o que é importante pela estrutura que a sigla tem com o Palácio das Esmeraldas e a força de seus prefeitos no interior. Meirelles tinha mais condições unir o PP”, pondera. Contribui para o PT apoiar Iris o fato de que teriam em troca o comando da Prefeitura de Goiânia, que passaria a ser ocupada em março pelo vice-prefeito Paulo Garcia.
O Popular, Jornalista Bruno Rocha Lima, 26 de dezembro de 2009
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“…mas esse grupo não tem grande espaço no diretório regional…”
Pensei que o Luiz Cesar tinha grandeza e não somente tamanho
Seu nível de medição de valor é muito medíocre
Mas lhe desejo sucesso e que seja um dirigente agregador, vendo e enaltecendo méritos em todos.